Zumbis: qual é a verdadeira origem dos mortos-vivos?

Muitas pessoas podem imaginar que as histórias de zumbi foram inventadas pelo cinema e se popularizaram nas últimas décadas com games, séries e filmes cheios de maquiagem e efeitos nojentos.

Embora o zumbi, popularmente conhecido como morto-vivo, tenha uma longa trajetória no cinema e na literatura a sua origem é bem mais interessante, cultural e envolve uma viagem pelo mundo.

(Fonte: Shutterstock/ Reprodução)(Fonte: Shutterstock/ Reprodução)

Origens africanas

O conceito de zumbi teve origem nas crenças religiosas de alguns povos africanos. De acordo com o Oxford English Dictionary, zumbi é um termo originário da África Ocidental sendo que foi registrado pela primeira vez na língua inglesa em 1819.

Na língua Kikongo, falada no Congo e áreas circundantes, a palavra zumbi está relacionada ao significado de fetiche, bem como ao termo nzambi, que significa “um deus”. Originalmente, zumbi ou zombi, também servia para se referir a um deus-cobra da religião Vodu.

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Entre o século XVIII e XIX, quando povos da África Ocidental foram levados para o Haiti e outras regiões do Caribe para serem escravizados, as suas crenças e práticas religiosas também foram junto. 

Nessas regiões das Américas, o medo dos mortos-vivos e da possessão por espíritos malignos assumiram diversas formas.

Uma delas é o jumbi, uma espécie de espírito ou fantasma dos mortos que reúne alguns conceitos de mitologias africanas e ameríndias. Uma vez no Haiti, o jumbi se transformou em zumbi já que era associado à morte, a possessão e ao terror do sofrimento mental e físico impostos aos escravizados.

A crença na zumbificação era uma ameaça constante aos escravizados, visto que os governantes locais e colonizadores a utilizavam como meio para controlar os africanos, impedindo-os de fugir. Por exemplo ameaçando contratar um feiticeiro para zumbificar os fugitivos.

Essa crença se tornou tão forte entre os haitianos que mesmo depois da independência do país, em 1804 e o consequente fim da escravidão, muitas pessoas ainda tinham medo de serem possuídas espiritualmente ou se transformarem em cadáveres amaldiçoados ressuscitados por meio da feitiçaria.

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Enquanto a América do Norte via o zumbi como uma criatura imaginária, mas perigosa e mortal, os haitianos temiam realmente o poder incontestável do Bokor, um feiticeiro que seria capaz de criar zumbis. Essa ideia, inclusive, assombra a população do Haiti até os dias atuais.

E não era apenas os mortos que corriam o risco de virar zumbis, os vivos também podiam ser zumbificados ou forçados a fazer coisas contra sua vontade. Curiosamente, o poder de criar zumbis não estava restrito a um feiticeiro, bruxas e até crianças com habilidades especiais poderiam fazer isso.

A boa notícia é que se tem o mal, também tem o bem. Nesse caso, o sagoma (xamã) com poderes de cura graças a sua capacidade de manipular as forças do mundo espiritual é quem podia quebrar a maldição.

Zumbi no cinema

As histórias de zumbi começaram a se popularizar nos EUA depois que soldados do país retornaram da ocupação militar ao Haiti iniciada em 1915. White Zombies foi a primeira produção cinematográfica a apresentar um morto-vivo ao público estadunidense.

O filme combinou o amor trágico, motivos góticos e lendas de zumbis haitianos, tentando capturar um pouco do medo da zumbificação. Embora seja de 1932, White Zombies compartilha e se baseia muito mais nas lendas haitianas sobre a ideia de zumbi, que a maioria dos filmes de hoje. 

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Mas isso não cativou muito o público dos EUA: eles queriam horror e sangue. Então, na década de 1960, surgir o zumbi americanizado, que distanciou ainda mais as pessoas da história e das lendas originárias da África e estabelecidas no Haite e Caribe.

Talvez, a mais famosa representação desse zumbi adaptado a demanda do público seja A Noite dos Mortos-Vivos, de 1968, filme dirigido por George Romero. 

Na época a produção não agradou muito, mas o crescimento do mercado e a criação de uma cultura pop em torno dos zumbis acabaram transformando o filme em um clássico cult décadas depois.

A metáfora zumbi

Para alguns estudiosos da antropologia todos nós somos zumbis metafóricos, afinal, expressamos sempre um apetite insaciável e muitas vezes sem explicação por mais coisas, não importando o custo. Ou seja, enquanto um zumbi come cérebros sem saber porque, compramos e desejamos coisas sem ter motivo.

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