Zumbi dos Palmares: a fascinante vida do líder quilombola

Zumbi dos Palmares foi um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior do período em que o Brasil foi colônia portuguesa. Mas Zumbi não foi apenas o último, mas o principal líder e um dos maiores — senão o maior — nome da história da resistência negra à escravidão na era colonial.

Por essa razão, tornou-se um símbolo da luta antirracista no Brasil de hoje. Nascido livre na capitania de Pernambuco, acabou por ser escravizado quando tinha somente seis anos de idade. Com a lei 12.519/2011, seu nome saiu dos livros de História como sinônimo de resistência para demarcar a luta pelos direitos do povo negro contra a injustiça racial.

Quem foi Zumbi dos Palmares

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Infelizmente, sabe-se muito pouco a respeito da vida de Zumbi, pois os relatos de sua existência são escassos e as fontes com informações sobre ele possuem muitas lacunas, quando não apenas conteúdo superficial — especialmente sobre sua vida pessoal.

Entre historiadores existe um consenso de que Zumbi foi general do Quilombo dos Palmares, atuando na resistência negra contra à escravidão no período colonial, o que ajudou a criar a imagem coletiva sobre ele como grande líder. No livro Palmares — A Guerra dos Escravos, de Décio Freitas, o autor afirma que o prócer nasceu livre, mas foi capturado e entregue a um padre, responsável por educá-lo e batizá-lo como Francisco.

A obra é controversa entre pesquisadores e mostra como ainda sabemos pouco sobre a vida do grande líder negro. Em uma carta de D. Pedro II conferindo perdão real a Zumbi dos Palmares, temos a informação de que seria casado e teria filhos, mas nem mesmo possuímos comprovação histórica desses dados.

A história de liderança de Zumbi

(Fonte: Acervo Aventuras na História)(Fonte: Acervo Aventuras na História)

Zumbi dos Palmares chegou à liderança sucedendo Ganga Zumba, em um episódio considerado a maior polêmica de sua vida. Ele peitou Zumba, que havia aceitado uma oferta de paz das autoridades, garantindo liberdade aos nascidos em Palmares, mas o retorno dos escravos fugidos.

Zumbi rechaçou essa possibilidade e tomou o poder do mocambo quando tinha 23 anos. Com a recusa da oferta de paz das autoridades coloniais, ele conduziu a resistência nos anos seguintes conseguindo, principalmente, manter a unidade entre os cerca de 20 mil homens e mulheres que ali viveram.

Entre 1692 e 1694, aconteceram várias lutas comandadas pelo líder negro contra o bandeirante Domingos Jorge Velho, cuja expedição patrocinada pelas autoridades coloniais desejava colocar fim à comunidade quilombola. Até a capitulação de Palmares, Zumbi conduziu e liderou aquele agrupamento por 17 anos.

Celebração da luta negra

(Fonte: Reprodução/Senado Federal)(Fonte: Reprodução/Senado Federal)

Contando com muitos homens e até mesmo canhões, a tropa comandada por Domingos Jorge Velho até encontrou alguma resistência na tomada de Palmares, mas a história de Zumbi estava a caminho do fim.

No ano de 1694, o mocambo capitulou, com as tropas portuguesas se instalando na região para impedir que o quilombo ressurgisse. Fugindo ao longo de quase um ano, Zumbi dos Palmares foi emboscado e morto em 20 de novembro de 1695.

Como um aviso aos demais negros escravizados, os restos mortais do líder quilombola foram expostos para que servissem de exemplo a quem tentasse agir contra a coroa portuguesa. O que talvez não contassem é que o nome dele ecoou e ecoa até hoje em nossa história, como símbolo de resistência da luta antirracista e por justiça racial.

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