William Thorton tentou ressuscitar o presidente George Washington

A fatídica e emblemática noite de 14 de dezembro de 1799, às 22h, não só entrou para a História pela morte declarada do primeiro presidente dos Estados Unidos e herói da Revolução Americana, George Washington, como também pela maneira como tudo aconteceu.

Na noite anterior, Washington chegou em casa em cima da hora após atravessar uma chuva intensamente gelada, com neve e granizo, se recusando a tirar suas roupas úmidas para não se atrasar para o jantar — o que fazia sentido, pois o ex-presidente detestava atrasos.

(Fonte: A Crítica/Reprodução)(Fonte: A Crítica/Reprodução)

Contudo, o hábito lhe custou a vida. No meio da madrugada, Washington acordou com uma dor horrível no peito e sem conseguir respirar direito. Rapidamente, sua esposa, Martha Washington, chamou por ajuda sendo atendida pelo coronel Tobias Lear, o principal assessor do presidente, que se apressou a convocar o Dr. James Craik, médico que cuidava há anos do presidente, e o especialista em sangria George Walings.

Antes que os profissionais chegassem, Lear deu um tônico feito de melaço, manteiga e vinagre que só piorou a condição de Washington, fazendo Rawlings ter que recorrer à técnica de tirar sangue para esfriar a febre do presidente.

Na noite de 14 de dezembro, o médico já havia retirado quase 40% do sangue do corpo de Washington, que morreu às 22h de uma infecção viral combinada com o tratamento absurdo de sangria.

Um homem inconformado

Dr. William Thorton. (Fonte: US Capitol Historical Society/Reprodução)Dr. William Thorton. (Fonte: US Capitol Historical Society/Reprodução)

Quando a trágica notícia foi anunciada, a nação lamentou profundamente a perda do então presidente, porém ninguém sentiu tanto quanto o Dr. William Thorton. Na verdade, ele literalmente se recusou a aceitar a morte de Washington — portanto elaborou um plano, no calor do desespero, para trazê-lo dos mortos.

Thorton era especializado em traqueotomia, abertura cirúrgica da traqueia para melhorar a insuficiência respiratória, porém estamos falando do século XVIII, uma época em que a medicina nem sequer sabia muito sobre como tratar doenças comuns, como uma infecção de garganta.

(Fonte: Science Photo Library/Reprodução)(Fonte: Science Photo Library/Reprodução)

Mas ele também acreditava que a transfusão de sangue, procedimento tão perigoso na época que foi proibido na França por causar a morte do Papa Inocêncio VIII, em 1492, poderia funcionar, apesar de Washington já estar morto. Ele se apressou até o Mount Vernon, em Virgínia, onde ficava a residência presidencial, para encontrar o cadáver gelado de seu amigo de longa data.

Para Thorton, seria possível revivê-lo mesmo depois que o rigor mortis se instalasse, combinando calor, ar e sangue. Sendo assim, ele pediu água fria para lentamente aquecer o corpo de Washington, depois embrulhá-lo em cobertores e aquecê-lo por fricção. Em teoria, essa técnica ajudaria a reviver os vasos sanguíneos frios do homem.

O desespero

(Fonte: Smithsonian Magazine/Reprodução)(Fonte: Smithsonian Magazine/Reprodução)

Só então, após aquecido, que Thorton faria sua traqueotomia, sem esterilização ou antibióticos, que eram inexistentes naquele período. Apesar dos riscos, o médico achava que teria mais eficiência por se tratar de um cadáver.

Thorton planejava inflar os pulmões de Washington em uma espécie de ventilação mecânica, e usaria sangue de cordeiro para fornecer energia vital para despertar a força do presidente. No entanto, a família Washington interviu e impediu Thorton de tentar ressuscitar o ex-presidente, alegando ser melhor deixar o legado dele intacto do que trazê-lo de volta, angariando polêmica para seu nome.

Thorton discordou e resistiu, porque queria o amigo de volta e estava convicto que tinha tudo para ser bem-sucedido, mas não conseguiu vencer a opinião da família.

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