Triboulet: o bobo da corte salvo pela sua inteligência

De todos os bobos da corte que já serviram a realezas pela Europa, poucos obtiveram o mesmo nível de sucesso que Triboulet. Perspicaz e muito inteligente, esse homem serviu à corte francesa por anos e é fonte de inspiração para algumas das obras de Victor Hugo.

Entretanto, se não fosse por sua sagacidade, provavelmente teria terminado morto em pouco tempo. Encarregado de encontrar as melhores piadas para as situações que lhe eram apresentadas, às vezes ele ia longe demais. Porém, sempre havia uma “carta na manga” para fugir de mais uma enrascada. Conheça mais dessa história nos próximos parágrafos.

Infância e origem

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Triboulet nasceu em 1479, na cidade de Blois (França), com microcefalia — um distúrbio de neurodesenvolvimento que causa deficiências congênitas. Por esse motivo, tinha costas curvadas, pernas curtas e tortas, além de braços longos e pendentes. A aparência dele era motivo de piada e fazia as pessoas compará-lo com um macaco.

Desde jovem, ele foi feito de bobo da corte de baixo nível na sua cidade e, somente aos 24 anos, foi transformado em bobo de patente pelo rei Francisco I. Foi aí que passou a demonstrar toda a sua sagacidade e perspicácia no cumprimento de sua profissão.

Usando vestimentas características, Triboulet basicamente tinha o dever de expor a hipocrisia na autoridade e os excessos reais enquanto dispunha da piedade de um rei. Então, ele aproveitou essa liberdade nos mandatos de Luís XII e Francisco I da França, até o dia em que ele foi longe demais.

Escapando da morte

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Foi trabalhando para Francisco I que Triboulet se tornou uma verdadeira lenda. Porém, existem duas histórias sobre ele que são extremamente apreciadas até hoje. Certo dia, o bobo da corte veio desesperadamente pedir ajuda ao rei, alertando que um nobre estava ameaçando de espancá-lo até a morte.

Francisco I, então, disse que não havia nada a temer e que esse homem seria enforcado em 15 minutos caso ousasse tentar. Triboulet então respondeu: “Oh, senhor! Não poderia fazer isso um quarto de hora antes?”. No entanto, o trabalho mais ousado do jovem trabalhador quase o matou de verdade.

Enquanto aguardava os aplausos dos cortesãos após uma de suas apresentações, Triboulet acertou Francisco I com um tapa nas costas. O rei estava decidido a executá-lo, mas ofereceu misericórdia se ele pudesse apresentar um pedido de desculpas mais ofensivo do que o ato em si. E assim a situação se desenrolou.

Último ato

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

“Desculpe, Majestade. Eu te confundi com a Rainha!”, disse Triboulet em uma tentativa de piada desesperada para se salvar. Entretanto, a esposa do rei estava fora de qualquer limite de brincadeiras, e Francisco I estava mais decidido do que nunca sobre a morte do bobo da corte. 

Como recompensa pelos anos de servidão, no entanto, o homem poderia escolher a forma como queria morrer. Foi então que Triboulet usou seu maior golpe de genialidade e deu uma resposta que ninguém esperava. “Bom senhor, pelo bem de São Nitouche e São Pansard, patronos da insanidade, escolho morrer de velhice”, brincou.

A verdade é que Francisco I achou essa resposta tão engraçada que decidiu bani-lo da corte em vez de matá-lo. Posteriormente, a história inspirou a peça O Rei se Diverte (1832), de Victor Hugo, e é recontada até hoje.

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