Ser bilíngue muda a arquitetura do cérebro, diz estudo

Dominar uma única língua já é uma tarefa um tanto quanto complicada, mas saber se comunicar em dois ou mais idiomas pode ser um verdadeiro esforço para as nossas cabeças. Inclusive, há indícios de que pessoas bilíngues possuem um modo de ver o mundo diferente das outras pessoas.

Segundo estudos publicados pela Universidade Estadual da Pensilvânia, o bilinguismo possui diversas consequências cognitivas e apenas o ato de decidir qual palavra será usada já serve como um “levantamento de peso” para os nossos cérebros. Quer entender como falar outro idioma pode te deixar mais ligado? Leia os próximos parágrafos!

Conversão de idiomas

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Se você domina mais de um idioma, é bem possível que já tenha notado as palavras se embaralharem em sua cabeça em algumas situações, certo? Isso pode ser chamado de convergência das línguas, um processo que gera certa “competição” entre todas as informações que já absorvemos linguisticamente.

Em sua fala na reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência em Washington D.C., nos Estados Unidos, a pesquisadora Judith Kroll explicou um pouco mais sobre o assunto. “Quando falo espanhol, não é uma mudança cognitiva sem esforço. Meu cérebro precisa escolher ativamente o espanhol toda vez que digo uma palavra ou construo uma frase”, completou.

De acordo com ela, esse esforço consciente de nosso cérebro continua acontecendo mesmo após anos de estudo falando outra língua que não seja a sua materna. Por esse motivo, é comum que bilíngues se sintam um pouco cansados quando estão se comunicando em outro idioma, e voltar a falar algo habitual pode soar como um verdadeiro alívio. E mesmo assim, o período de intervalo na troca de idiomas continua sendo um exercício — fazendo com que a pessoa se confunda dentro da sua própria língua.

Treinando o cérebro

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

Na visão de Kroll, o desafio cognitivo constante que os bilíngues enfrentam pode ser responsável por uma melhora observada no que é chamado de função executiva, ou a capacidade de filtrar informações desnecessárias e tomar decisões. Então, para maximizar esses benefícios, a pessoa não deve se forçar a não misturar as línguas.

“Na verdade, é uma parte normal e típica da experiência bilíngue. Além disso, não é como se meu cérebro estivesse relaxando. Ainda estou escolhendo entre idiomas com cada palavra, é só que não estou fazendo a mesma escolha todas as vezes”, afirmou. Dessa forma, é evidente pensar que a língua materna também influenciará nos outros idiomas.

Por esse motivo temos sotaques, vocabulários diferentes e podemos errar algumas coisas bobas. Porém, isso também significa que aprender uma segunda língua também altera a forma como pensamos no nosso primeiro idioma, visto que não possuímos duas mentes monolíngues operando ao mesmo tempo. Isso pode soar desconcertante e, por vezes, constrangedor. Mas, no fim das contas, nosso cérebro está apenas trabalhando para ser cada vez mais forte e eficiente. 

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