Semeadura de nuvens: a prática que ajuda a ‘mudar o tempo’

Sofrendo com um período drástico de seca, o Conselho Municipal de San Diego (Califórnia, EUA), decidiu tomar uma atitude desesperada e contratar Charles Hatfield, um autodenominado “fazedor de chuva”. Em 1902, o homem criou uma mistura de 23 produtos químicos em tanques de evaporação a partir de uma pseudociência, acreditando que a chuva viria no processo de evaporação de misturas de dinamite, nitroglicerina e outros componentes que ele nunca revelou a origem.

Durante o século XIX, os Estados Unidos sofreram muito com períodos de seca devastadoras, que destruíram plantações e mataram milhares de pessoas, porém o excesso de chuvas também se mostrou um inimigo perigoso para o país, causando os mesmos efeitos adversos.

Contudo, o avanço científico promovido pela Segunda Guerra Mundial, possibilitou que governos recorressem à ciência em vez de charlatões que viviam de marketing, como era Hartfield no início do século.Assim surgiu o método revolucionário chamado semeadura de nuvens.

Mudando o tempo

(Fonte: GE News Bureau/Reprodução)(Fonte: GE News Bureau/Reprodução)

Pensando em evitar que o granizo ou outras formas prejudiciais de precipitação em algumas regiões, a semeadura de nuvens surgiu em 1946 quando o químico e meteorologista Vincent Schaefer trabalhava no laboratório da General Eletric tentando criar nuvens em uma sala de congelamento mantida em temperatura abaixo de zero.

Foi ao adicionar um pouco de gelo seco em sua câmara de criação de nuvens, que ele achava não estar fria o suficiente, que viu se formar uma nuvem ao redor do gelo seco. O que aconteceu foi que os cristais de gelo microscópios forneceram uma espécie de “semente” quase perfeita, no qual o vapor de água poderia se condensar.

A partir disso, com a ajuda do físico Bernard Vonnegut, Schaefer descobriu que o composto químico iodeto de prata era uma semente de nuvem melhor do que os cristais de gelo seco.

Mudando a guerra

(Fonte: Collier's magazine/Reprodução)(Fonte: Collier’s magazine/Reprodução)

Em 1947, o governo e a indústria privada se uniram para a criação do Projeto Cirrus, visando explorar a semeadura de nuvens em seu espectro total, que terminou em desastre ao tentar enfraquecer um furacão, acabando por mudar seu curso e fazê-lo atingir Savannah, na Geórgia, causando uma destruição sem precedentes.

Nem por isso as tentativas de semeadura pararam. Vinte anos depois, durante a notória Guerra do Vietnã, o Departamento de Defesa semeou nuvens durante a Operação Popeye, em 1967, com o objetivo de inundar uma importante rota inimiga de abastecimento. A prática também foi usada contra civis durante o movimento de contracultura e hippie nos EUA para dispersar, por exemplo, o público do Festival Woodstock.

A prática foi proibida após a guerra com a ratificação da Convenção sobre a Proibição de Uso Militar ou Qualquer Outro Uso Hostil de Técnicas de Modificação Ambiental, adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1976, garantindo que a modificação do clima fosse usada apenas para fins pacíficos.

Mudando o presente

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Na modernidade, os cientistas usam a semeadura para tornar menos severas as tempestades de granizo, esperando que a água super-resfriada que lançam pelos ares, congele em temperaturas mais quentes e caia como chuva ou granizo pequeno, em vez de granizos maiores. Ainda que possa ser usado na mitigação de secas severas, a prática ainda não consegue fazer isso em céu limpo porque é necessário nuvens próximas ou se precipitando.

As operações de semeadura de nuvens podem acontecer tanto do solo, com geradores que liberam aerossóis no ar, quanto do ar através de aviões, que injetam o iodeto de prata nas nuvens.

Apesar da prática ajudar muito áreas que sofrem com inundações, também acaba por causar um efeito adverso ao deixar para trás uma massa de ar mais seca a favor do vento, dando origem ao termo “roubo de chuva”. O resultado disso são as secas devastadoras.

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