Revolta da Chibata: 6 fatos para conhecer a agitação militar de 1910

A Revolta da Chibata foi um movimento organizado por marujos contra os castigos físicos impostos aos marinheiros brasileiros. Contudo, a chibatada foi apenas um pretexto para a eclosão do motim, já que a situação envolveu desigualdades sociais, por exemplo.

Inspirados nos movimentos de marinheiros ingleses que se levantaram contra o governo local no Encouraçado Potemkin, a revolta ocorrida no Rio de Janeiro foi apenas o cume de uma situação muito maior de insatisfação contra o racismo e a exclusão social de um país recentemente livre da escravidão e tornado República. A partir de 6 fatos, conheça e entenda um pouco mais sobre o que levou a esta insurgência.

1. Castigos físicos

(Fonte: Reprodução)(Fonte: Reprodução)

As Forças Armadas brasileiras eram conhecidas como “depósito” de jovens negros e pobres, muitos com histórico de crimes. E, à época, era uma prática comum na Marinha do Brasil o uso da chibatada como forma de punição a marinheiros que violassem o código de conduta da corporação. Por isso, historiadores chamam esse cenário como o “casamento perfeito de punição e reforma”.

2. Desigualdade social

(Fonte: Biblioteca Nacional/Senado Federal)(Fonte: Biblioteca Nacional/Senado Federal)

Os escravos haviam sido libertos há poucos anos, mas não havia nenhuma política pública de inclusão dessa população à sociedade civil. Aliando ao que citamos acima, a Revolta da Chibata era, também, uma manifestação dos marinheiros com relação à sua condição social, ao racismo existente na corporação e à desigualdade social, elemento inerente a todas as camadas da população brasileira do início do século XX.

3. João Cândido, o Almirante Negro

(Fonte: Revista O Malho/Biblioteca Nacional Digital)(Fonte: Revista O Malho/Biblioteca Nacional Digital)

João Cândido Felisberto foi o principal líder da Revolta da Chibata. Nasceu nove anos depois da Lei do Ventre Livre, no interior gaúcho, e entrou para a Marinha aos 14 anos, desenvolvendo uma brilhante carreira por 15 anos. Foi expulso da corporação em virtude de sua liderança na rebelião, e, ao contrário do que foi divulgado por um tempo, era um homem instruído, tendo frequentado a Escola de Aprendizes de Marinheiros em Porto Alegre.

João levou quase 100 anos até receber o perdão do governo federal e ser reconhecido como um líder pela dignidade e justiça social. Morreu em 8 de novembro de 1969, no Rio de Janeiro, onde viveu até o fim de seus dias. Seu sepultamento, em período já de ditadura militar, foi cercado de policiais à paisana.

4. Manifesto dos Marinheiros

(Fonte: FONFON/Fundação Biblioteca Nacional)(Fonte: FONFON/Fundação Biblioteca Nacional)

Durante o motim, os marujos elaboraram um manifesto. Nele, as lideranças resumiam quais eram as suas exigências. Esse documento foi enviado para a presidência, à época exercida por Hermes da Fonseca.

Ainda que não exista prova concreta sobre o responsável pela redação do manifesto, historiadores têm aceitado o nome de Adalberto Ferreira Ribas como o encarregado. Neste documento, os marujos solicitavam o fim dos castigos corporais, aumento do soldo, substituição dos oficiais e melhoria do nível educacional dos marujos.

5. Fim da Revolta da Chibata

(Fonte: Correio da Manhã/Biblioteca Nacional Digital)(Fonte: Correio da Manhã/Biblioteca Nacional Digital)

O governo brasileiro, liderado por Hermes da Fonseca, aceitou as condições impostas pelos marinheiros que comandaram a Revolta da Chibata. O presidente ofereceu aos envolvidos anistia em troca do fim do movimento. Desta maneira, os marinheiros entregaram as embarcações que haviam sido tomadas no dia 26 de novembro de 1910.

6. Tentativa de uma segunda revolta

(Fonte: A Ilustra Brasileira/Fundação Biblioteca Nacional)(Fonte: A Ilustra Brasileira/Fundação Biblioteca Nacional)

Apenas duas semanas após a rendição dos revoltosos, eclodiu um novo movimento que a própria Marinha denominou de “segunda revolta”. Marinheiros que não haviam concordado com o fim da Revolta da Chibata em um dos navios tomados anteriormente armaram um novo motim. Com menor adesão dos militares, uma série de marinheiros ficaram indefesos e ilhados. 

Os que não foram detidos e enviados para masmorras, acabaram mortos. Além disso, um contingente de 2 mil marinheiros foram expulsos. Havia quem pensasse que essa nova “revolta” teria sido ordenada pelo próprio governo federal, já que acabou beneficiado pelo estado de sítio determinado pelo Congresso.

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