Respiratorianismo: a perigosa dieta das pessoas que vivem de ar

Já pensou se fosse possível viver sem precisar comer ou beber água e ainda ter uma boa saúde? Por mais absurda, futurista, maluca e até incrível que essa ideia possa parecer, existe um grupo de pessoas que afirma ser possível. Estamos falando dos respiratorianos, aqueles adeptos ao respiratorianismo.

Para os praticantes desse movimento é possível substituir a alimentação tradicional pelo “prana”, termo sânscrito que pode ser traduzido como força vital ou ar vital. O conceito de prana aparece em diversas culturas pelo mundo com nomes variados. Mas está mais presente nos Vedas, os textos sagrados dos hindus, bem como em tradições praticadas na Polinésia, Japão e China.

No que acreditam os respiratorianos

Ellen Greve, uma das principais expoentes do movimento no Ocidente. (Fonte: Allegro Filmproduktions GmbH/Reprodução)Ellen Greve, uma das principais expoentes do movimento no Ocidente. (Fonte: Allegro Filmproduktions GmbH/Reprodução)

Não é raro que os próprios adeptos dessa prática se utilizem das expressões “viver de ar” ou “viver de luz”, visto que supostamente se alimentam de força vital. Ellen Greve, uma das principais representantes do respiratorianismo, que adotou o nome de Jasmuheen, aconselha aos seus seguidores a começar lentamente.

Por exemplo, a pessoa pode iniciar se tornando vegetariana, depois vegana. Posteriormente, pode começar a comer alimentos crus, depois ter uma dieta apenas de frutas. Gradualmente, o indivíduo chegará ao momento em que se alimentará apenas de água e, após isso, o próximo passo é viver de prana: fase em que os alimentos físicos são substituídos pela luz ou ar, ou por alimentos metafísicos.

A base do respiratorianismo é o jejum. Uma prática com aspectos espirituais presentes nas maiores religiões do mundo, como judaísmo, islamismo e cristianismo. O ponto é que no respiratorianismo estamos falando de um jejum para toda a vida, isto é, não possui um motivo ou período específico e limitado de tempo em que deve ser adotado.

Na prática, a história é outra

Existem respiratorianos pelo mundo que afirmam abster-se por completo de água e comida. Alguns gurus indianos dizem que não comem há décadas. No entanto, existe um grupo um pouco mais “equilibrado” de líderes do movimento que recomenda aos seus seguidores o consumo de pequenas quantidades de comida durante a semana como, por exemplo, um caldo ou uma fruta.

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Os adeptos também são incentivados a praticar exercícios respiratórios, ioga e meditação visando ampliar a abertura para receber o prana do ar. Mesmo que já conheçamos amplamente os efeitos negativos da falta de uma nutrição adequada e os riscos que jejuns prolongados podem trazer à saúde, a Universidade de Berna, na Suíça, conduziu um estudo para contestar um seguidor de Jasmuheen.

O sujeito alegou estar vivendo apenas de “luz” por dois anos e que seu corpo estava livre de problemas e doenças. No entanto, os pesquisadores concluíram que as coisas não eram bem assim. Eles monitoraram rigorosamente o jejum do indivíduo por 10 dias e, apenas nesse curto espaço de tempo, observaram várias alterações fisiológicas, tais como:

  • perda de peso de até meio quilo por dia;
  • menor resistência para praticar exercícios físicos;
  • ácidos graxos livres tiveram seus níveis triplicados;
  • hiperaldosteronismo, retenção de líquido que pode levar a fraqueza, pressão alta e até paralisia temporária.

Ou seja, o indivíduo respiratoriano estava mentindo, visto que seu próprio corpo mostrava o intenso declínio na saúde e a incapacidade de manter uma rotina normal.

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