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Ray Chapman: o jogador de beisebol atingido por um arremesso fatal

Apesar de a maioria das pessoas ter em mente que esportes radicais e de contato são os tipos mais perigosos do mundo, ainda assim tudo é determinado a partir do que você considera como mais perigoso. Se for levado em consideração o número de lesões, de acordo com um estudo levantado em 2019 pelo National Safety Council (NSC), o ciclismo é uma prática que gerou cerca de 417 mil lesões em atletas no período de 1 ano, em contraste com as 292 mil lesões causadas pelo futebol. Por outro lado, pensando no grau de fatalidade, a escalada é a responsável por causar 1 óbito em cada 10 pessoas.

Além disso, o NSC também detectou que ser atingido por algum objeto praticando algum esporte é a principal causa de lesão não intencional entre adolescentes e adultos com idades entre 15 a 24 anos. No entanto, são os abalos que essas colisões causam que preocuparam os pesquisadores. Segundo o Brain Injury Research Institute, estima-se que 1,6 milhão a 3,8 milhões de atletas chegam nos hospitais com um quadro de concussão. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos apontou que só em 2016 mais de 273 mil pacientes chegaram com lesões cerebrais traumáticas após serem atingidas por algo durante alguma prática esportiva.

É um tanto quanto comum que espectadores presenciem momentos em que os atletas se lesionam enquanto estão competindo e, muito embora seja raro vê-los simplesmente morrer diante de milhares de pares de olhos, ainda assim é terrivelmente possível de acontecer.

Um grande legado

Ray Chapman. (Fonte: Alchetron/Reprodução)
Ray Chapman. (Fonte: Alchetron/Reprodução)

Não era novidade para ninguém que Ray Chapman estava destinado a um futuro brilhante. Nascido em 15 de janeiro de 1891, em Beaver Dam, no Kentucky (EUA), ele foi criado no bairro de Herrin, em Chicago, e sempre foi totalmente apaixonado por beisebol. Aos 21 anos, o jovem conseguiu entrar como o rebatedor principal do Cleveland Indians, da liga profissional americana.

Chapman se tornou um fenômeno, estabelecendo recordes que levaram até 63 anos para serem quebrados, e acumulando vitórias para a sua equipe. Além de um excelente jogador, ele também era bem-humorado e o mais adorado entre os fãs, que o seguiam onde quer que ele fosse. Chapman era prestigiado também pelos seus companheiros de equipe e dizia-se que ele tinha amigos por todos os lugares que passava.

Até que em 1920, aos 29 anos, ele conheceu a deslumbrante Kathleen Daly, filha de um famoso empresário da cidade, e seu relacionamento com ela deixou claro de que ele se aposentaria ainda naquele ano. Afinal de contas, o jogador demonstrava interesse de assumir o negócio da família de Daly junto com o sogro e começar a própria família.

A jogada final

(Fonte: Reddit/Reprodução)
(Fonte: Reddit/Reprodução)

A partida de 16 de agosto de 1920 era uma das últimas da carreira de Ray Chapman –em todos os sentidos. Sendo assim, aproximadamente 21 mil pessoas lotaram as arquibancadas do Polo Grounds, um dos principais estádios de Nova York, notório pelos jogos de beisebol e futebol americano, para assistir ao Cleveland Indians contra os Yankees.

Às 15h daquela fatídica tarde abafada de segunda-feira, o céu já anunciava uma tempestade forte e, quando o jogo começou, as condições visuais eram semelhantes a de um crepúsculo, apesar das fortes luzes do estádio.

O adversário de Chapman era o arremessador Carl Mays, que estava em seu auge nos Yankees, e era o rival declarado do rebatedor. Mays era conhecido por ser uma pessoa mais odiável e de bem poucos amigos, principalmente dentro de um jogo.

Carl Mays. (Fonte: The Oklahoman/Reprodução)
Carl Mays. (Fonte: The Oklahoman/Reprodução)

No meio da partida, Mays fez um arremesso de uma bola rápida que atravessou o ar a aproximadamente 150 km/h e encontrou o seu alvo com um som oco. O arremessador declarou à polícia que o barulho foi tão alto que ele achou que a bola havia atingido a ponta do taco de Chapman.

Ray Chapman chegou a correr, porém cambaleou e caiu próximo a segunda base, sendo socorrido por seus companheiros. A bola de Mays atingiu em cheio o lado esquerdo da cabeça do jogador, logo acima da orelha, em vez de seu taco, gerando uma fenda que jorrava sangue sem parar. 

Com as condições climáticas e a velocidade da bola, alguns comentaristas se perguntaram se ele ao menos viu a bola atravessar o campo em sua direção.

O dano irreparável

(Fonte: MILENIO/Reprodução)
(Fonte: MILENIO/Reprodução)

Chapman foi levado às pressas para o Hospital St. Lawrence, em Manhattan, onde ele foi diagnosticado com traumatismo craniano. Ele foi submetido a um procedimento cirúrgico que durou mais de 1 hora, e teve um pedaço de 7,5 centímetros removido de seu crânio do lado esquerdo.

Às 3h, o quadro de Chapman piorou, uma vez que a pancada da bola lançada por Mays fez o cérebro dele se chocar contra o crânio, formando diversos coágulos de sangue. Às 4h40 de 17 de agosto de 1920, Ray Chapman foi declarado morto pelos médicos, deixando uma carreira brilhante e uma esposa grávida, pronta para iniciar um novo capítulo de sua vida.

Enquanto o mundo do beisebol lamentava a morte de Chapman com um suspiro de horror, o histórico conturbado e a má fama de Carl Mays caíram como uma bomba em seu colo. Além de ser interrogado por longas horas pela polícia, ele também foi questionado pelo astro Ty Cobb, considerado um dos maiores jogadores de beisebol de todos os tempos e também amigo íntimo de Ray Chapman, se ele lançou a bola com má intenção.

(Fonte: Worth Point/Reprodução)
(Fonte: Worth Point/Reprodução)

“Se você acha isso, então é tudo o que importa”, respondeu Mays, de modo desafiador. Para as autoridades, no entanto, ele expressou seu imediato remorso pelo o que aconteceu: “Foi o incidente mais lamentável da minha carreira, e eu daria qualquer coisa para poder reverter o que aconteceu”. Ele revelou que, apesar de tudo, sua consciência estava limpa, e culpou apenas a bola que estava surrada e molhada demais.

O repúdio que já existia contra Carl Mays apenas cresceu. Na época, surgiu uma campanha de boicote dos jogadores contra ele para que todo mundo se recusasse a pisar no campo se ele estivesse na equipe, porém isso acabou se dissipando.

A decisão

(Fonte: Factory of Sadness/Reprodução)
(Fonte: Factory of Sadness/Reprodução)

Com a trágica morte de Ray Chapman, foram testados capacetes feitos de couro que eram parecidos com os usados no futebol americano daquela época, porém acabaram sendo descartados por falta de adaptação.

Apenas em meados de 1956 que a Liga Nacional passou a exigir equipamentos de proteção completos para todos os jogadores, fosse qual fosse a sua posição dentro da equipe. Finalmente, em 1971, a Major League Baseball (MLB) tornou obrigatório o uso de capacetes no esporte, diminuindo as chances de jogadores terem o mesmo trágico fim que o do grande Ray Chapman.

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