Por que eleitores com 16 e 17 anos são tão poucos em 2022?

Em seu perfil no Twitter, a cantora Anitta deixou um recado para os seus seguidores. Ela escreveu: “me pediu foto quando me encontrou em algum lugar? Se for maior de 16 eu só tiro a foto se tiver foto do título de eleitor”. 

A mensagem da cantora alude a uma notícia que tem repercutido muito: até o momento, apenas 10% dos jovens brasileiros entre 16 e 17 anos (que ainda não têm a obrigação legal de votar) foram cadastrar o seu título de eleitor. Como o prazo para fazer este cadastro se estende até 4 de maio, a perspectiva é de que o número de jovens aptos para votar em outubro não aumente muito.

Até o fim de janeiro, 731 mil cidadãos nesta faixa etária haviam se cadastrado como eleitores. Para se ter uma ideia, o número corresponde a menos de um quarto do total de pessoas nesta janela de idade que foram votar nas eleições municipais em 1992, a primeira que se tem registro histórico sobre esses números.

O número tem se mantido baixo apesar dos esforços constantes do Tribunal Superior Eleitoral no desenvolvimento de campanhas de conscientização. O TSE vem mantendo ações desde 2020, no intuito de estimular a participação política dos adolescentes, mas não está colhendo os resultados esperados do trabalho.

Por que os jovens não querem votar?

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

É difícil apontar com precisão as razões que explicariam o desinteresse dos jovens quanto ao voto. No entanto, os especialistas levantam algumas hipóteses, como o desânimo acentuado pela crise do país, a falta de perspectiva de emprego, o envelhecimento dos líderes partidários e a descrença no sistema político como um todo.

O cientista político José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo, também credita o fenômeno à retórica de deslegitimação da política usada pelo presidente Jair Bolsonaro. “Jovens nessa idade estão na fase de serem atraídos para a política. Justamente no momento em que são convocados pelas instituições a participar, os discursos antipolítica os afastam”, declarou ao jornal O Estado de São Paulo.

Já o cientista político Carlos Melo, professor do Insper, acredita que os partidos políticos têm muita dificuldade de se adaptar aos mais novos. “Muitos partidos, sobretudo na esquerda, que sempre mobilizou mais os jovens, têm gente na direção partidária há 40 anos. As estruturas burocráticas, hierarquizadas, abriram pouco espaço”, explicou.

A mobilização coletiva pelo voto

(Fonte: Notícia Preta)(Fonte: Notícia Preta)

O tema está mobilizando artistas e influencers que têm se engajado em uma campanha para estimular que seus jovens seguidores façam o cadastro. Um “tuitaço” (ação que envolve várias pessoas lançando tweets ao mesmo tempo sobre um tema) chegou a juntar as postagens de cerca de 5 mil usuários do Twitter, que atingiram um total de 8 milhões de pessoas.

Dentre os famosos que se engajaram neste tuitaço, organizado pelo próprio TSE, estão os atores Lázaro Ramos, Taís Araújo, Bruna Linzmeyer e Larissa Manoela, a jornalista Miriam Leitão e os membros do grupo de reggae Natiruts.

Além disso, o Google Trends registrou um aumento considerável nas buscas sobre “jovem” e “título de eleitor”. Outra ação que deve aumentar nos próximos meses é a realização de “mesacasts”, como são chamados os episódios de podcasts em que há uma conversa entre apresentadores e políticos, candidatos ou não, que batem papo sobre política em um tom mais informal, o que tende a atrair os mais jovens.

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