Por que as estátuas gregas são brancas?

Qualquer pessoa que já esteve em um museu repleto de esculturas gregas sabe: invariavelmente, as estátuas são brancas. Uma vez que grande parte destas peças é feita de mármore (uma minoria é de bronze), todos nós nos acostumamos com o mito de que o ideal de beleza dos gregos é sempre o branco, o etéreo e o minimalista.

Talvez possa-se dizer que isto acontece por conta do mármore ter sido o material mais acessível na época. Mas a questão é bem mais complexa que isso, e levou a várias consequências que vão além do campo das artes.

Diferenças entre as estátuas gregas e as romanas

Estátua grega. (Fonte: Shutterstock)Estátua grega. (Fonte: Shutterstock)

A primeira questão a entender sobre as estátuas gregas é a razão pela qual elas foram feitas com mármore. O uso deste material costumava ser mais comum no caso de peças criadas para fazer parte de estruturas arquitetônicas, como prédios. 

O bronze, por outro lado, é um material mais resistente, mas também mais “reciclável”. E é por isso que restaram poucas estátuas de bronze: porque elas acabaram sendo reutilizadas para criar novas obras.

As esculturas gregas atingiram seu ápice de produção pelos séculos IV a.C. e V a.C. Com a expansão do Império Romano, posteriormente, os romanos passaram a admirar e imitar a estética da arte grega. 

Estátua Romana. (Fonte: Shutterstock)Estátua Romana. (Fonte: Shutterstock)

As réplicas feitas pelos romanos eram de mármore, e diferenciavam-se especialmente por um detalhe: costumavam trazer alguma barra de apoio para as figuras, disfarçadas como objetos como troncos, colunas ou tecidos. Isto acontecia pelo fato do mármore ser menos resistente que o bronze.

Boa parte do conhecimento que temos das esculturas, portanto, se dá por conta das réplicas que foram recuperadas dentro de navios naufragados. E o que foi sendo descoberto que estas estátuas eram, na verdade, multicoloridas.

A cores originais das estátuas

Os arqueólogos Vinzenz e Ulrike Koch-Brinkmann organizaram uma exposição exibindo mais de 60 réplicas de estátuas gregas com suas cores originais, recuperadas por meio de processos tecnológicos. O que se viu foram adornos, roupas e peles totalmente coloridos. Com isso, vai a chão o mito de que os gregos haviam projeto um ideal “incolor” da arte. 

Foi no século XV, com o Renascimento, que a arte feita na Antiguidade começou a reacender interesse nas pessoas. E aí retomou-se a ideia (que é falsa) de que as esculturas gregas eram sempre brancas. Por consequência, artistas como Michelangelo começaram a produzir obras, como seu famoso Davi de Michelangelo, sempre em mármore totalmente sem cor.

(Fonte: Hypeness)(Fonte: Hypeness)

A arte “pálida”, assim, tornou-se a regra. Segundo Vinzenz Brinkman, “a Europa não era muito educada nem muito interessada. Mas queria se livrar da opressão da Igreja. Assim, o mármore branco e o bronze escuro passam a ser usados como um símbolo de sofisticação do pensamento europeu”.

Para se ter uma ideia, o poeta alemão Johann Wolfgang Goethe publicou um livro em 1810, enquanto era um estudante de arte grega, chamado Teoria das Cores, em que dizia “os homens sofisticados evitam cores”. E assim, aos poucos, desenvolveu-se a premissa de que os tudo que fosse branco era superior — o que não é exatamente verdade.

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