Por que a felicidade não dura para sempre?

Temos uma verdade para compartilhar: a felicidade não existe, mas está tudo bem. Para ser sincero, cientistas já provaram que a felicidade é como um vício: ela nos proporciona uma grande sensação de alívio por um curto período, e depois cessa, causando angústia e desejo por mais.

A informação é importante porque, na nossa cultura, a felicidade aparece como uma das metas centrais para uma boa vida. A mídia nos oferece o tempo todo esta ideia de que a vida precisa sempre ser repleta de boas experiências e alegrias, como em um feed do Instagram, e qualquer coisa longe disso pode ser considerado um fracasso.

Só que, diferente do que poderíamos esperar, a tristeza e o sofrimento são partes inevitáveis da existência humana.

O mito da felicidade

(Fonte: Pexels)(Fonte: Pexels)

Em 2007, a filósofa Jennifer Michael Hecht lançou o livro O mito da felicidade, que propõe a ideia de que existem diferentes tipos de felicidade — e que elas não são necessariamente complementares. Algumas felicidades, inclusive, podem entrar em conflito entre si. Ou seja, ter somente um tipo de felicidade pode minar a sua chance de ter outras.

Um exemplo: ter uma carreira bem sucedida ou um casamento que dure muito tempo pode significar abrir mão de outros tipos de felicidades, como o prazer hedonista de ter uma vida social ativa ou de fazer coisas impulsivamente. Ou seja: ter muita felicidade em uma parte da vida pode significar deixar de ter em outras esferas.

E como o nosso cérebro lida com isso?

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Muitos de nós, caso questionados, diriam que não se sentem felizes. E por que isso acontece? A resposta pode estar na própria psicologia.

O nosso cérebro processa a felicidade de forma projetada para o futuro, ao invés do presente. Costumamos pensar que a felicidade chegará assim que determinada coisa acontecer, futuramente — quando conseguir o emprego dos sonhos, quando fizer a viagem que deseja, quando encontrar o amor, etc. Poucas pessoas projetam a felicidade em algo que está acontecendo agora.

Outra questão é que nosso cérebro também a projeta como algo vinculado ao passado. Os psicólogos cognitivos já chamaram este processo de “Princípio de Pollyana”, em referência ao famoso livro juvenil Pollyana, de Eleanor H. Porter. O conceito significa que nós nos lembramos dos fatos do passado a partir das sensações agradáveis, ao invés das desagradáveis — pessoas deprimidas são exceção, pois costumam focar mais nos acontecimentos ruins.

Daria para chamarmos esse processo de “ilusão”, mas a verdade é que nossa mente se adaptou evolutivamente para se sentir assim. Da mesma forma que, evolutivamente, o “normal” é que a felicidade seja mesmo passageira — uma vez que a satisfação perpétua minaria qualquer chance que teríamos de realizar novas coisas. Se nossos ancestrais tivessem se sentido frequentemente felizes, é bem provável que não teríamos chegado até aqui.

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