Pesquisa mostra as redes sociais mais usadas por criadores de conteúdo

Os vídeos curtos e dinâmicos estão se popularizando como a nova linguagem nas redes sociais. Mas que fatores levaram a esta transformação? A pergunta começa a ser respondida se atentarmos para a faixa etária dos usuários do TikTok, rede social onde a tendência surgiu.

Dando sequência ao material que apresenta o perfil dos criadores de conteúdo no Brasil, publicamos a segunda de uma série de cinco reportagens sobre a pesquisa feita por nós, com o apoio do Google, entre janeiro e junho de 2021. Hoje, vamos discutir um dado que chama a atenção: quanto os mais jovens estão mudando o comportamento na hora de escolher os canais para disseminar seus conteúdos. 

Segundo o levantamento, que ouviu 428 produtores de conteúdo, dois a cada três entrevistados usam mais de uma plataforma. O Instagram ainda reina em primeiro lugar, com 86%, seguido pelo YouTube, com 58%. O TikTok aparece em terceiro, com 47%. 

Ranking geral das redes sociais mais usadas, segundo a pesquisa

No entanto, se considerarmos a faixa etária, os mais jovens impulsionam o TikTok para o segundo lugar. Entre criadores com 13 a 19 anos, o número salta para 65%, enquanto o Instagram mantém os 86% e o YouTube cai para 46%. Entre 20 e 29 anos, o TikTok aparece com 49%, o Instagram segue nos 86% e o YouTube, 54%. A tendência é que os mais jovens flutuem entre Instagram e TikTok, enquanto quem tem mais de 30 anos permanece no Instagram e no YouTube. Nesta última faixa etária, o TikTok marca 30%.

Como ler esses números? A professora e pesquisadora em Mídias Digitais Adriana Amaral, da Universidade do Vale do Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul, entende que o algoritmo do TikTok parece deixar o feed mais ajustado a partir das buscas via hashtags específicas:  “É o que parece de forma geral, então isso facilita o impulso à criação”, arrisca. Ela também cita a mudança de comportamento:

O fato de serem microvídeos também demonstra a questão do tipo de linguagem que a plataforma atinge, misturando vídeo e música. Então, chegamos neste fator geracional e de gênero, até porque há nichos bem específicos, por exemplo voltados a K-POP, danças, fandoms e subculturas, que foram de certa forma abraçadas mercadologicamente pelas plataformas.

A adolescente Ana Clara, de 13 anos, conta que a usabilidade do TikTok é um dos diferenciais:

É a que mais acesso, tanto por conta do sistema do aplicativo (fácil acesso) quanto pela vasta gama de vídeos que ele recomenda. O fato do For You do TikTok ser influenciado pelas hashtags deixa tudo mais interessante, gosto dessa interação. Consigo filtrar o tipo de conteúdo que prefiro assistir”, explica. Essa experiência mais “pessoal” de consumo de conteúdo é outro ponto a favor. “As outras redes causam uma sensação de tédio.

Esta percepção da agilidade e vastidão de conteúdo também influenciou a criadora de conteúdo Luma Santos, 28 anos. Que, apesar de estar na faixa etária de menos procura, também migrou para a rede social, uma vez que notou um crescimento orgânico mais rápido da audiência: “Sinto que as pessoas têm crescido em outras redes por ficarem conhecidas por algum vídeo que viralizou lá”. 

Luma também está no Instagram e no YouTube, e conta que optou pelo TikTok pela oportunidade de crescimento e visibilidade, o que pode significar uma tendência de migração entre todas as faixas etárias:

Admito que no início eu fiquei receosa, pois faço conteúdos sempre pensando em alcançar o público adulto, mais próximo da minha idade, mas, quando você entra de fato no TikTok, percebe que ali tem um universo de nichos, pessoas, idades, produzindo e consumindo diversos tipos de conteúdo.

Além das características quanto à forma com que o conteúdo é apresentado, a pesquisadora Adriana Amaral corrobora o depoimento de Luma e destaca o posicionamento do TikTok como marca:

Os nichos, subculturas e tendências foram abraçados pela plataforma, que enquanto marca se posiciona como algo relacionado a jovens – e em muitos desses [nichos] já são maioria mulheres e pessoas LGBTQIA+. 

A professora destaca que a tendência é que o crescimento do TikTok se mantenha. Com as parcerias com emissoras de televisão para divulgação de conteúdos, existe a possibilidade de ampliação do público. Apesar disto, ainda existe a necessidade de se confirmar a tendência, como por exemplo, com a migração de outros grupos para a rede social: 

O investimento em publicidade em canais abertos, como a Globo, pode ampliar ainda mais o alcance da rede. Não sei se será a mais usada, porque depende de cada nicho (o pessoal gamer por exemplo usa muito a Twitch), mas tende a crescer.

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