O que os fósseis podem revelar sobre o futuro do planeta?

Quando falamos em fósseis, é sempre subentendido que seu estudo ajuda a desvendar os mistérios do passado. No entanto, os fósseis podem ser importantes não apenas para entender o passado da vida no planeta, mas também para vislumbrar o futuro da humanidade. Em entrevista concedida ao Vox, o paleontólogo Thomas Halliday revelou que as extinções de eras passadas e as consequências das mudanças climáticas — vivenciadas em larga escala nos últimos anos — podem impactar na manutenção e sustentação dos seres vivos.  

De acordo com Halliday, eventos ocorridos há milhões de anos, quando dinossauros e aves gigantes habitavam a Terra, apresentavam padrões geológicos que permitiam a sugestão de inferências climáticas e comportamentais. Assim, seria possível reconstruir ações, hábitos e características anatômicas de espécies, além de suas relações com o ambiente, para aproximar os conceitos à atual realidade.

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(Fonte: Fossil Museum/Reprodução)(Fonte: Fossil Museum/Reprodução)

Essas “viagens temporais”, como o autor menciona, seriam de extrema importância para contar a história da vida, tendo em vista que grandes extinções — por ações humanas ou cataclismas de larga escala — tiveram impacto direto nos ecossistemas antigos, assim como ocorre nos dias atuais. Porém, diferentemente dos tempos passados, onde aquecimentos e resfriamentos estavam inclusos em um lento ciclo natural, os desgastes atuais estão em um ritmo mais veloz e podem indicar problemas em escalas trágicas para a natureza.

“No final do Permiano, há 250 milhões de anos, ocorreu o que ficou conhecido como a Grande Morte. É a pior extinção em massa que já aconteceu. Houve uma enorme emissão de coisas como metano e outros gases de efeito estufa da atividade vulcânica”, disse o paleontólogo. “Na Sibéria, 95% da vida foi exterminada por essa mudança radical no clima global. Existiram enormes problemas com a acidificação dos oceanos, com esses gases saindo para a atmosfera e sua perda de oxigênio. E muitas dessas coisas são problemas que estamos vendo agora.”

Há otimismo com a repetição dos fatos?

Há pouco mais de 360 milhões de anos, espécies fotossintetizantes como organismos unicelulares e, posteriormente, as árvores do Carbonífero, foram responsáveis por alterar a configuração da biosfera, produzindo oxigênio, absorvendo grandes quantidades de dióxido de carbono e transformando-se em carbono, que retornava para a Terra na forma de matéria orgânica. 

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Na atual crise climática, os protagonistas das transformações de cenário são os próprios humanos, dotados da capacidade de refletir sobre as ações e buscar alternativas mais apropriadas. Porém, o tempo vem se provando um inimigo da população mundial, e enquanto os efeitos dos gases estufa preocupam com uma ação brusca e repentina, grupos ambientalistas e estudiosos se esforçam para correr contra o tempo, na tentativa de contornar a situação antes de uma nova extinção.

“Se estamos falando de mudanças climáticas, os períodos importantes são os cinco maiores eventos de extinção em massa. O Ordoviciano é o único causado pelo resfriamento global, e acho que é um paralelo importante aqui. As pessoas têm uma suposição de que o calor é de alguma forma o que é ruim aqui. Mas, na verdade, não é o calor em si, é a taxa de mudança”, esclarece Halliday.

E qual o papel dos fósseis na recuperação climática?

Segundo o autor de Otherlands, compreender o que ocorreu com espécies desaparecidas e estudar de que forma os fenômenos climáticos impactaram nas comunidades pré-históricas é essencial para entender os padrões dos ciclos nas eras. Para isso, torna-se imprescindível analisar estruturas fósseis e entender quais pistas elas fornecem para a humanidade.

(Fonte: Alamy/Reprodução)(Fonte: Alamy/Reprodução)

Estudos comprovam as relações entre artefatos documentais e a coleta de detalhes minuciosos sobre o meio ambiente, e Halliday reforça essa condição de “ver formas de vida antigas como se fossem visitantes comuns do nosso mundo, como animais trêmulos e fumegantes de carne e instinto, como vigas rangentes e folhas caindo”.

“Se passarmos por um grande período de transição, inaugurando uma nova era em que a vida é fundamentalmente diferente, então é menos provável que façamos parte dela. Devemos proteger o mundo que é nossa terra, nossa parte do tempo geológico”, conclui.

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