O que leva o grupo Boko Haram a sequestrar crianças na Nigéria?

O Boko Karam é um grupo radical islâmico de perfil fundamentalista e terrorista, formado no ano de 2002, eles visam a imposição da sharia, a lei islâmica, no norte da Nigéria, por meio do uso da força e da violência. Seu nome significa, figurativamente, “a educação ocidental é um pecado”, e por esta razão eles lutam para acabar com a democracia no país e promover uma educação exclusivamente islâmica.

Agindo com extrema violência e perversidade, o Boko Haram ficou famoso por atacar aldeias inteiras, incendiando casas, raptando, violando e causando ferimentos graves às vítimas para, com isso, matá-las ou capturá-las.

Desde o início de sua insurgência, em julho de 2009, o grupo já matou dezenas de milhares de pessoas. As estimativas mais recentes da ONU apontam que mais de 350.000 pessoas foram mortas, a maioria delas crianças com menos de cinco anos.

As motivações do Boko Haram

(Fonte: AFP/Getty Images)(Fonte: AFP/Getty Images)

Fundado por Mohammed Yusuf no ano de 2002, uma das ideias do líder do Boko Haram com a onda de sequestros era purificar o norte da Nigéria. O grupo acreditava que a jihad, conceito da religião islâmica habitualmente entendido como “guerra santa”, uma luta armada contra os infiéis e inimigos do Islã, deveria ser adiada até seu fortalecimento, de modo que conseguissem derrubar o governo nigeriano.

Estudiosos afirmam que Yusuf seria inspirado pelo pregador islâmico Mohammed Marwa, o Maitatsine. Havia uma negação maior que à educação ocidental, incluindo também a negação da teoria da evolução, da ideia de Terra esférica, entre outros pontos.

Para os integrantes do Boko Haram, a ocidentalização da sociedade nigeriana havia levado o país a uma cultura da corrupção. Analistas creditam esse ponto específico às crises econômicas enfrentadas pelo país africano, cuja concentração de riqueza se ateve a membros de uma pequena elite política, principalmente no sul do país, que é uma região majoritariamente cristã.

Por que o foco em crianças?

(Fonte: Reuters/Joe Penney)(Fonte: Reuters/Joe Penney)

Desde o famoso sequestro de 2014, em que mais de 270 meninas foram raptadas na cidade de Chibok, no nordeste da Nigéria, o número de crianças sequestradas vem aumentando exponencialmente. Isso ocorre porque o ato em Chibok deu notoriedade ao Boko Haram. Soma-se a isso que sequestrar estudantes, e não turistas, garante visibilidade e envolvimento do governo nigerian — o que pode render milhões de dólares em resgate.

Especialistas afirmam que esse movimento tornou os sequestros lucrativos, mas também alertam que o Boko Haram faz das crianças um alvo, também, para que elas sejam usadas como escravas em seus campos, incluindo fins sexuais, no caso de meninas. Já o sequestro de meninos pode ter ligação com um alistamento forçado de novos combatentes.

De acordo com dados da Nigeria Security Tracker, mais de US$ 18 milhões foram pagos como resgate por vítimas sequestradas entre os anos de 2011 e 2020. Esse dinheiro permite que o grupo fundamentalista financie suas operações e mantenha sua unidade. Em 20 anos de existência, foram apenas três líderes diferentes, ainda que o assassinato do segundo, Abubakar Shekau, tenha levado a uma cisão no grupo.

Fragmentação religiosa e cultural do país fortalece o grupo extremista

(Fonte: EPA/Tony Nwosu)(Fonte: EPA/Tony Nwosu)

A Nigéria é um país complexo. Ao mesmo tempo que é a maior economia da África – um dos maiores exportadores de petróleo do mundo — e tem a maior população africana, o país tem também graves problemas sociais, entre eles o separatismo e a violência política.

A Nigéria é uma nação dividida religiosa e culturalmente. Enquanto o norte tem predominância muçulmana, o sul é majoritariamente cristão. O fim de 15 anos de ditadura militar, em 1999, deixou mais expostas essas feridas, o que permitiu o surgimento e fortalecimento do Boko Haram.

A separação do grupo em 2016, com o surgimento de uma facção hostil com ligação com o Estado Islâmico deve levar mais terror à região, especialmente porque deram início a ações nos países vizinhos, como Camarões, Chade e Níger. Há muita pressão sobre o governo local para acabar com a violência dos grupos armados, mas, por enquanto, o futuro é incerto. Infelizmente.

More in Fatos&Fatos.com

Quis autem vel eum iure reprehenderit qui in ea voluptate velit esse quam nihil molestiae consequatur, vel illum qui dolorem?

Temporibus autem quibusdam et aut officiis debitis aut rerum necessitatibus saepe eveniet.

Copyright © 2020 powered by fatos&fatos.com.