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O que é true crime e por que esse gênero vem crescendo na cultura pop?

Você sabe o que é true crime? Cada vez mais presente dentro da cultura pop, o termo proveniente do inglês poderia ser livremente traduzido para algo como “crime real” ou “crime de verdade”, explicando o fato desse ter se tornado um gênero do entretenimento que aborda os detalhes de investigações e crimes que de fato aconteceram no mundo real.

O intuito do true crime, ao contrário de obras baseadas em fatos reais, é trazer o máximo de informações verídicas sobre casos que chocaram o mundo, — como o Caso Daniella Perez abordado pelo Mega Curioso recentemente — mesmo que isso envolva falar sobre atrocidades, crimes hediondos e finais infelizes.

True crime no audiovisual

(Fonte: Rede Globo/Reprodução)
(Fonte: Rede Globo/Reprodução)

Ao longo dos anos, o gênero true crime parece vir conquistando uma grande leva de admiradores por todos os cantos do planeta. O interesse pela temática é tamanho que diversos produtores de conteúdo têm buscado desenvolver obras audiovisuais que falem sobre crimes verdadeiros.

Um exemplo nacional é a série documental brasileira Investigação Criminal (2012), que até pouco tempo esteve disponível no Netflix e agora aparece na plataforma de streaming Looke. Com nove temporadas, o trabalho do diretor Beto Ribeiro utiliza cada um dos 73 episódios da série para se aprofundar sobre algum crime impactante na história do Brasil.

O primeiro episódio da produção, por exemplo, fala sobre o Caso Isabella Nardoni, a menina brasileira de cinco anos de idade arremessada da janela do sexto andar de um edifício em São Paulo pelo seu pai, Alexandre Nardoni. Outros títulos do gênero que também chegaram ao audiovisual foram as séries O Desaparecimento de Madeleine McCann (2019) e Jeffrey Epstein: Poder e Perversão (2019).

True crime na literatura

(Fonte: Wikimedia Commons)
(Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Se as histórias sobre crimes reais parecem ter se tornado uma tendência nas plataformas de streaming e no mundo audiovisual de maneira geral, o true crime é um gênero que circula pela literatura internacional há algum tempo. E tudo parece ter começado nas mãos do jornalista Truman Capote, em 1966.

Também conhecido por ser um dos precursores do jornalismo literário — gênero jornalístico que aborda notícias com maior riqueza de detalhes e construção de personagens —, Capote foi o autor do livro A Sangue Frio (1966). O enredo conta todos os detalhes que rodearam o bizarro assassinato da família Clutter em uma cidade no interior do Kansas, nos Estados Unidos.

Além disso, outra obra que marcou época foi o livro Helter Skelter (1974), dos autores Vincent Bugliosi e Curt Gentry. A escrita literária aborda os crimes cometidos pela seita criada por Charles Manson, como o assassinato da atriz Sharon Tate, e toda a investigação policial que aprisionou todos os membros do grupo.

Diferença entre true crime e ficção

(Fonte: Netflix/Reprodução)
(Fonte: Netflix/Reprodução)

Muitas pessoas podem acabar se confundindo sobre as diferenças entre o que é uma obra de true crime e o que é um produto de entretenimento baseado em histórias reais. Criações como Uma Vez Em… Hollywood (2019), de Quentin Tarantino, e a série Mindhunter (2017), da Netflix, foram baseadas em acontecimentos históricos de verdade, mas utilizam artefatos ficcionais para completar suas tramas e, por isso, não podem ser consideradas pertencentes ao gênero.

O mesmo vale para a série The Act (2019), estrelada pela atriz Patricia Arquette, que fala sobre todos os acontecimentos da estranha relação maternal entre Dee Dee e Gypsy Rose que ocasionou um dos assassinatos mais bizarros na história dos Estados Unidos em 2015. 

É essencial que, para que uma produção seja considerada true crime, ela se atenha aos pormenores de tudo que já foi documentado sobre os casos criminais e evite desviar da verdade para enriquecer seu enredo e chamar atenção do público.

Impacto do true crime na vida real

(Fonte: HBO/Reprodução)
(Fonte: HBO/Reprodução)

Se para alguns, o gênero true crime parece apenas uma espetacularização de cenas de crime, já houve vezes na história em que esse tipo de obra foi responsável por mudar o rumo de algumas investigações em sentenças, como é o caso da minissérie da HBO The Jinx (2015).

Na época ainda suspeito por três assassinatos, o assassino em série Robert Durst acabou confessando a autoria dos crimes, por engano, ao conceder uma entrevista para a elaboração do programa. Durante a gravação do último episódio, um microfone aberto captou o filho do empresário Seymour Durst dizendo a si: “Agora acabou. Te flagraram. O que você fez? Matei todo mundo, é claro”.

Depois da confissão, as autoridades de Los Angeles anunciaram a reabertura das investigações e agora o magnata norte-americano é acusado pelo assassinato de Susan Berman em 2000, semanas antes da data marcada para ela depor sobre o desaparecimento da esposa do acusado em 1982.

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