Nero teria se humilhado para acabar com a própria vida

Na adaptação para os palcos de Wicked — A História Não Contada das Bruxas de Oz, livro escrito por Gregory Maguire, Glinda questiona os cidadãos de Oz quando está descendo em sua bolha para celebrar a morte de Elphaba: “As pessoas nascem más ou será que a maldade é lançada sobre elas?”.

A verdade é que Lucius Domitius Ahenobarus, mais conhecido como Nero, nascido em Anzio em 15 de dezembro de 37 d.C., nem sempre foi o louco pelo qual adquiriu uma fama histórica. Apenas 3 anos após a morte do imperador Cláudio, em 50 d.C., Nero ascendeu ao trono de Roma.

Os primeiros 5 anos de seu reinado foram considerados pacíficos e benéficos para todos, chegando a deificar seu antecessor e fazer de tudo para evitar a pena de morte para os criminosos em seu reinado. Nero queria fazer de seu governo misericordioso, mas isso não durou por muito tempo porque sua vida pessoal começou a entrar em colapso.

O homem nas trevas                       

(Fonte: Arthive/Reprodução)(Fonte: Arthive/Reprodução)

Nero havia se apaixonado à primeira vista por Poppea Sabina, considerada “a mulher mais bela de Roma”, embarcando em um relacionamento extraconjugal com ela, abalando ainda mais as estruturas da relação com sua mãe, Agripina, a Jovem.

Sabina, por outro lado, dotada de uma ambição sem par, havia premeditado até o primeiro contato com Nero, visando cativá-lo, tanto que se casou com outro homem apenas para se aproximar do imperador. Ela talvez tenha sido a responsável por estimular o tiranismo em Nero, visto que o convenceu, em 55 d.C., a assassinar seu irmão adotivo Britânico e, em seguida, em 59 d.C., sua mãe. Sua esposa Octavia e sua irmã mais velha também encontraram o mesmo fim pelas mãos do imperador.

Em 64 d.C., aconteceu o Grande Incêndio de Roma, que muitos suspeitaram que Nero havia provocado, então ele respondeu aos rumores procurando bodes expiatórios cristãos para desviar a acusação sobre ele.

(Fonte: Doses of History/Reprodução)(Fonte: Doses of History/Reprodução)

A essa altura, ainda que ele conseguisse enganar o povo e manter sua popularidade, sua reputação com a elite desmoronou de maneira tão irreversível que, em 65 d.C., surgiu um plano para substituí-lo. Nero soube da armação e a frustrou, mas a apunhalada pelas costas serviu para piorar o que havia surgido nele, levando-o a cometer execuções generalizadas.

No verão do mesmo ano, depois que Sabina já estava grávida de seu segundo filho, ela também estava determinada a deixar Nero, que passava a maior parte do tempo fora de casa. Mas ele não aceitou muito bem a ideia, atacando-a aos chutes de maneira tão violenta que a matou.

Com isso, Nero foi arrebatado pelo remorso, e a depressão profunda causada pelo luto o empurrou de vez da beirada do abismo da loucura que o circundava.

Um fim humilhante

(Fonte: History on this Day/Reprodução)(Fonte: History on this Day/Reprodução)

O estado psicológico de Nero piorou depois que ele soube, por meio de uma carta, que o Senado o havia declarado inimigo público, portanto deveria ser capturado, levado e à Roma para execução. Ele seria despido e açoitado publicamente até a morte.

Nero chegou a pegar dois punhais para tentar se matar, mas não teve coragem. Então implorou a um de seus servos que se matasse, no que seria, segundo ele, um ato de bravura para que o encorajasse a fazer o mesmo. Diante da cena humilhante, ele se repreendeu por sua covardia:

“Quão feia e vulgar minha vida se tornou. Venha se recompor!”, disse a si mesmo, segundo registros de Suetônio, uma das únicas testemunhas do episódio histórico.

(Fonte: ThoughtCo/Reprodução)(Fonte: ThoughtCo/Reprodução)

Ao ouvir o barulho das tropas se precipitando pela vila para prendê-lo, Nero decidiu enfrentar a situação e não abdicar de sua moral. Ele apanhou uma adaga e implorou para que seu secretário, Epafrodito, o ajudasse a se esfaquear na garganta, e assim ele o fez.

O imperador Nero foi cremado nas vestes bordadas a ouro que ele usou em sua última visita à Grécia, e suas cinzas colocadas entre as da família de seu pai no Monte Pinciano.

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