‘Muralha Verde Africana’ pretende evitar avanço do Saara

Você já deve ter ouvido falar da Muralha da China, certo? Ela foi construída há séculos para proteger os chineses dos seus inimigos e hoje é uma das sete maravilhas do mundo. Contudo, uma nova muralha está surgindo (bem diferente, claro, e no continente africano) — e ela promete ser tão famosa quanto a asiática.

Estamos falando de um projeto que pretende construir uma “muralha de árvores” no norte da África. Com mais de 8 mil quilômetros, a incrível “Muralha Verde” atravessará o continente do leste ao oeste, partindo da costa do Senegal e indo até a Etiópia.

Por isso, esse projeto precisou do apoio de líderes de 11 países, além de capital de bancos internacionais e agências de fomento.

O objetivo da Muralha Verde

a(Fonte: Shutterstock/Reprodução)

O norte da África é ocupado pelo deserto mais famoso do mundo: o Saara. Contudo, devido às mudanças climáticas, ele está avançando para o sul do continente. Isso gera uma série de problemas socioeconômicos, como o aumento da pobreza na região, o êxodo rural da população e a impossibilidade de agricultura em regiões que antes eram férteis.

No curto prazo, o projeto gera milhares de empregos e ajuda a reduzir a miséria em uma das regiões mais pobres do planeta. A médio e longo prazo, ele contribui para o desenvolvimento econômico e social das nações beneficiadas, gerando aproximadamente 10 milhões de empregos.

Além disso, trata-se de um reforço na captura de carbono da atmosfera. Cerca de 250 milhões de toneladas devem ser capturadas.

Os desafios do projeto

(Fonte: Reprodução/DW)(Fonte: Reprodução/DW)

Apesar de ser uma bela iniciativa, a Muralha Verde tem encontrado dificuldades para ser concretizada. O primeiro impasse é o financiamento. A previsão é que todo projeto custe US$ 25 bilhões. Os principais financiadores são o Banco Mundial e a União Africana, entidade que reúne países do continente.

No entanto, a instabilidade política em algumas nações tem impedido o acesso aos recursos e, consequentemente, o plantio de árvores. Até o ano de 2020, cerca de 15% das metas relacionadas ao projeto haviam avançado — o início dessa empreitada foi em 2007.

Um dos desafios foi a falta de pessoas em algumas regiões. Sem cuidado adequado, muitas plantações não foram adiante. A solução encontrada foi incentivar que as pessoas cuidassem das árvores que já existiam nos vilarejos em que viviam. Isso garantiu o abastecimento de água nessas regiões.

Alguns países avançam mais do que outros

A Etiópia conseguiu restaurar cerca de 15 milhões de hectares de solo desertificado. Outros países também têm apresentado resultados satisfatórios. A Nigéria já conseguiu restaurar 5 milhões de hectares de deserto. Já o Senegal conseguiu restaurar 25 mil hectares até o ano de 2020.

Infelizmente,  guerras e o terrorismo têm impedido o progresso em muitos países, já que não permitem que os recursos cheguem às organizações locais. Ainda assim, a Muralha Verde Africana caminha para ser a maior estrutura viva de todo o planeta, inspirando iniciativas semelhantes pelo mundo.

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