Mil fios misteriosos são descobertos no centro da Via Láctea

Imagens feitas do centro da Via Láctea revelaram algo intrigante: cerca de mil fios misteriosos foram vistos “pendurados” no espaço sem qualquer tipo de explicação. O registro foi divulgado pela 1ª vez nesta quarta-feira (26) e deverá ser publicado na revista The Astrophysical Journal

Segundo os pesquisadores, esses impressionantes filamentos se estendem por mais de 150 anos-luz e geralmente podem ser vistos em pares ou aglomerados. O estudo também cita que o espaçamento entre eles ocorre de maneira igualitária e de lado a lado, semelhante ao que seria as cordas de um instrumento musical.

Avistamentos anteriores

(Fonte: Northwestern University)(Fonte: Northwestern University)

Por mais surpreendidos que os cientistas tenham ficado, essa não é a primeira vez que esses filamentos misteriosos foram avistados em nossa galáxia. Na década de 1980, o pesquisador Farhad Yusef-Zadeh, da Northwestern University, nos Estados Unidos, foi quem os identificou no espaço.

Após uma série de estudos, Yusef-Zadeh constatou que os filamentos tinham elétrons de raios cósmicos que giram seu corpo magnético próximo à velocidade da luz. Mesmo assim, a origem daqueles objetos especiais permaneceu um verdadeiro mistério até os tempos atuais.

Nas imagens feitas em 2022, é possível notar uma quantidade de fios 10 vezes maior do que aquela observada no passado. Com isso, os cientistas da Northwestern University receberam uma nova oportunidade para poder analisar uma grande quantidade desses filamentos de maneira nunca vista antes por pesquisadores.

Novas descobertas

(Fonte: Northwestern University)(Fonte: Northwestern University)

Com a possibilidade de analisar mais exemplares desses fios espaciais, Yusef-Zadeh acredita que ele e sua equipe estão um passo mais próximo de descobrir mais sobre sua origem. De acordo com ele, os seres humanos tinham apenas uma “visão míope” sobre esses objetos até o momento, mas agora tudo poderá ser analisado de forma panorâmica.

Em comunicado oficial, os pesquisadores afirmam ter sido necessário três anos analisando dados do Observatório de Radioastronomia da África do Sul (Sarao) para coletar as novas imagens. Foi somente através do telescópio MeerKAT que eles conseguiram reunir um mosaico com 20 observações de diferentes pontos do centro da Via Láctea — localizado a 25 mil anos-luz da Terra.

Além da incrível imagem dos mais de mil filamentos misteriosos, o estudo conseguiu capturar emissões de rádio de estrelas em erupção, berçários estelares e novos remanescentes de supernovas. Para poder analisar os fios separadamente, os estudiosos utilizam uma técnica que remove o fundo principal do registro, detalhando apenas o objeto em questão.

Em busca de respostas

Apesar de os cientistas cravarem que mais análises precisarão ser feitas para chegar a algo conclusivo, a suposição do momento é que os filamentos sejam o rastro da atividade passada de um buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. Anteriormente, pensava-se que eles eram originários de uma supernova. 

A expectativa é que o uso do telescópio MeerKAT, que foi lançado apenas em 2018, nos próximos anos ajude na identificação de mais desses elementos espaciais e encontrar respostas sobre o que faz os elétrons desses filamentos acelerarem tão rápido.

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