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Mary Anning: a caçadora de fósseis esquecida pela ciência

Durante o século XIX, a exploradora Mary Anning foi um dos nomes mais importantes da Ciência, considerando sua ampla contribuição nas pesquisas sobre fósseis. Porém, suas conquistas ganharam reconhecimento apenas décadas depois, visto que o ambiente amplamente misógino e a dificuldade de uma mulher se expressar como referência na área impediram-na de levar crédito pelas pesquisas autorais.

Com uma infância pobre, Mary Anning (1799-1847) e seu pai trabalhavam vasculhando os penhascos em busca de fósseis e outros objetos valiosos nas proximidades do litoral de Lyme Regis, em West Dorset, Inglaterra. Desde cedo, a jovem acreditava que essas riquezas poderiam ser sua principal forma de sustento, então ela se dedicou a identificar tesouros raros, estudando geologia e anatomia para compreender o valor de seus achados. 

(Fonte: Museu de História Natural - Wikimedia Commons / Reprodução)(Fonte: Museu de História Natural – Wikimedia Commons / Reprodução)

Em 1810, com a morte de seu pai, Mary se entregou totalmente à caça de fósseis e passou a trabalhar vorazmente para poder sustentar sua família e pagar suas dívidas. Certo dia, enquanto caminhavam pela praia, ela e o irmão encontraram um esqueleto que se estendia por pouco mais de 17 metros de comprimento — um monstro que viveu há 200 milhões de anos. O achado seria uma alavanca para a carreira da mulher e os cientistas da época entraram em contato para discutir sobre “a criatura mais incrível já descoberta”.

(Fonte: Ernst Haeckel - Wikimedia Commons / Reprodução)(Fonte: Ernst Haeckel – Wikimedia Commons / Reprodução)

Porém, apesar de ter sido a responsável por encontrar os restos do “lagarto-peixe”, a jovem caçadora não demorou a ser deixada de lado nas discussões acadêmicas. Seu gênero e classe social contribuíram para que não recebesse crédito algum pelo seu conhecimento sobre os fósseis, e sequer participasse da Sociedade Geológica de Londres, que não aceitava o ingresso de mulheres.

Reconhecimento tardio

Apesar de ter continuado com mais descobertas após a identificação dos ossos gigantes e se arriscando para chegar nos locais de interesse mais remotos, seus trabalhos diminuíram consideravelmente após ser diagnosticada com câncer de mama. Por falta de oportunidades e por sofrer com a misoginia, a paleontóloga só teve um único artigo publicado em vida, que apareceu na Magazine of Natural History, em 1839.

Quase 200 anos depois, seu trabalho volta a ser evidenciado nos grandes centros acadêmicos, o que lhe rendeu até mesmo uma classificação na lista das dez mulheres britânicas que mais influenciaram a História da Ciência segundo a Royal Society, em 2010. O resultado foi alcançado por anos de luta, insistência e participação igualitária, que mesmo lhe rendendo status importante na Sociedade Geológica de Londres no final de sua vida, não foi suficiente para colocá-la nos livros de história.

(Fonte: Mary Anning - Wellcome Collection / Reprodução)(Fonte: Mary Anning – Wellcome Collection / Reprodução)

Entre seus principais achados, destacam-se o primeiro dos dois esqueletos completos de um plesiossauro, o primeiro esqueleto de um pterossauro fora do território alemão e importantes peixes fósseis. Além disso, suas observações foram essenciais nos estudos das “pedras de bezoar”, antigas fezes fossilizadas.

“O mundo usou-me tão maliciosamente que eu temo que ele fez-me suspeitar de todos”, escreveu a pesquisadora em uma de suas cartas.

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