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Máquina de Anticítera – História do computador mais antigo do mundo

A Máquina de Anticítera está entre os grandes mistérios da humanidade, pois sua origem e funções remontam a engenharia das antigas civilizações. Em primeiro lugar, essa invenção foi descoberta a 42 metros de profundidade no fundo do Mediterrâneo.

Além disso, as reconstruções desse maquinário a apresentam como uma invenção da Grécia Antiga. Basicamente, aparenta ter mais de dois mil anos, pois foi encontrada com os restos de uma galé romana naufragada. Em outras palavras, pertence ao mesmo período em que o Império Romano começou a conquistar colônias gregas no Mediterrâneo.

Em contrapartida, a Máquina de Anticítera não tem a mesma configuração que os computadores atuais. Nesse sentido, mais se parece uma calculadora astronômica gigante, porque conseguia identificar os movimentos dos cinco planetas visíveis a olho nu. Mais ainda, monitorava as fases da Lua, e os eclipses, tanto o solar e lunar.

Máquina de Anticítera - história do computador mais antigo do mundo
Fragmento da Máquina – Fonte: Portugal Mundial

Descoberta da Máquina de Anticítera

No geral, há discordâncias na comunidade científica a respeito da data exata para a descoberta dessa máquina. Entretanto, costuma-se estabelecer o ocorrido entre os anos de 1900 e 1902.

Em primeiro lugar, a importância dessa descoberta está associada ao valor histórico. Ou seja, representa um importante desenvolvimento tecnológico dos gregos na Antiguidade.

Porém, também vale ressaltar que somente após 1,5 mil anos uma invenção semelhante à Máquina de Anticítera apareceu na história. Nesse caso, os relógios mecânicos astronômicos, inventados na Europa do século XIV são os principais exemplos.

Ainda que tenha sido encontrado somente um pedaço de sua estrutura, pesquisas internacionais desenvolveram reconstruções do maquinário. Basicamente, esses esforços buscavam simular a versão original e entender melhor suas particularidades, pois se trata de uma invenção complexa para o período em que está datada.

Máquina de Anticítera - história do computador mais antigo do mundo
Detalhes inscritos na peça original da Máquina de Anticítera – Fonte: BBC

Enigmas sobre a função da máquina

Primeiramente, é importante conhecer o físico inglês Derek John de Solla Price para entender as investigações sobre a função da máquina. Em resumo, esse foi o responsável por analisar detalhes dos 82 fragmentos recuperados da Máquina de Anticítera. Além disso, processou imagens das peças com raios-X e raios gama, a fim de mostrar sua complexidade com maior aprofundamento.

A partir disso, foi possível datar que algumas peças foram feitas entre os anos de 70 a.C e 50 a.C, facilitando a compreensão sobre sua origem e uso. Entretanto, Solla Price seguiu adiante, e decidiu contar os dentes em cada roda para conhecer melhor suas funções. Desse modo, alcançou alguns números importantes na astronomia.

Antes de mais nada, os números 127 e 235 representam o movimento dos corpos celestes no espaço, bem como suas distâncias da Terra e a geometria das órbitas. Em outras palavras, 235 representa a quantia de meses lunares no chamado ciclo Metônico. Por outro lado, o 127 mostra os movimentos elípticos da Lua ao redor da Terra.

Como consequência dessas investigações, presume-se que a Máquina de Anticítera era utilizada como instrumento para monitorar os movimentos astronômicos. Em especial, acompanhar os ciclos da lua.

Comumente, esses estudos facilitavam nas previsões para o cotidiano, como os ciclos de colheita e para alguns rituais religiosos. Entretanto, monitorar a Lua também permitia um estudo mais aprofundado do Universo, em um período em que haviam mais perguntas do que respostas.

Confira a reconstrução visual da Máquina de Anticítera, feita por Mogi Vicentini:

Outros enigmas e curiosidades

Apesar de todas as investigações citadas anteriormente, ainda vale citar a relacionada ao número 223. Basicamente, esse foi o número encontrado em outra roda do mecanismo, a partir de uma análise com tecnologia sobre demanda. Em outras palavras, esse é um importante número para entender a função da Máquina de Anticítera em relação aos eclipses.

A princípio, o ciclo de Saros acompanha o movimento em que a Lua e a Terra voltam a se encontrar após um período de 223 luas. Ou seja, após dezoito meses e onze dias. No geral, esse ciclo foi descoberto pelos babilônios antigos, por volta de 600 a.C

Nesse sentido, é um importante mecanismo para prever a ocorrência de eclipses. Desse modo, a Máquina de Anticítera também apresentava essa função, com especificidades sobre o dia, a hora, a direção da sombra e até a cor que a Lua teria no céu.

Entretanto, a máquina ia além de acompanhar o padrão da Lua. Ainda por meio das reconstruções, cientistas identificaram que a invenção dos gregos acompanhava o caminho do satélite natural no céu. Em resumo, isso era feito através de duas engrenagens menores , onde uma replicava o tempo da trajetória da Lua ao redor da Terra.

Além disso, a outra engrenagem calculava o deslocamento dessa órbita. Apesar disso, a Máquina de Anticítera trabalha segundo o geocentrismo, modelo da galáxia compreendido pela civilização grega na época.

Assim, analisavam o Universo a partir da crença de que a Terra ocupava o centro e outros cinco planetas orbitavam ao redor. Apesar desse modelo ser ultrapassado, tendo sido derrubado algumas décadas adiante na história, compreender a tecnologia e o maquinário a Antiguidade auxilia nas investigações sobre a humanidade.

Máquina de Anticítera - história do computador mais antigo do mundo
Retrato de Arquimedes – Fonte: Mundo Engenharia

Quem criou a Máquina de Anticítera?

Em primeiro lugar, a Grécia Antiga é conhecida por ter inúmeros filósofos, matemáticos, engenheiros e inventores excepcionais para a História. Entretanto, existem dicas que apontam para Arquimedes como autor da Máquina de Anticítera.

No geral, essa conclusão resulta das contribuições que o inventor teve para a astronomia, pois foi quem determinou a distância entre a Terra e a Lua, determinou como se calcular o volume de uma esfera e até criou o valor de Pi. Entretanto, houveram outras contribuições múltiplas, como a fundação da hidrostática e da estática.

Nesse sentido, vale ressaltar que Arquimedes vivia em uma das cidades invadidas pelo Império Romano durante as explorações das colônias gregas. Porém, um ponto importante da história de Arquimedes está relacionado ao furto de suas invenções durante essas invasões.

Em resumo, as invenções de Arquimedes foram roubadas em sua residência, na cidade de Siracusa. Desse modo, legionários invadiram sua cidade e residência sob o comando do general Marcus Claudius Marcellus. Ainda que as ordens do general tivessem sido que poupassem a vida do inventor, um dos soldados acabou o matando em um conflito.

Entretanto, a morte de Arquimedes apresenta incontáveis versões, mas acredita-se que ele tenha morrido aos 75 anos. Por outro lado, o furto de suas invenções fez com que os maquinários se difundisse no Império Romano. Desse modo, um modelo inicial da Máquina de Anticítera parecia estar entre eles, de acordo com registros históricos e documentos da época.

Portanto, a autoria do que se transformou posteriormente na Máquina de Anticítera descoberta por pesquisadores surgiu com Arquimedes. Contudo, as peças encontradas não se tratam da criação original, pois parecem ter sido adaptadas depois que foram roubadas do inventor.

Confira a Máquina de Anticítera reconstruída com lego, feita por pesquisadores da Nature Research em 2010:

Qual o resultado das pesquisas sobre essa descoberta?

Apesar dos avanços, as pesquisas sobre a origem, funções e usos continua em andamento por todo o mundo. Ainda que várias perguntas tenham sido respondidas, existem outras questões sendo analisadas.

Por exemplo, os cientistas seguem investigando o que aconteceu com o conhecimento sobre a Máquina de Anticítera. Como foi citado anteriormente, foram necessários séculos para que outra invenção semelhante fosse encontrada. Portanto, identificar o que aconteceram com os planos, protótipos e projetos dessa invenção integram os estudos históricos sobre o mundo.

Nesse sentido, acredita-se que a queda do Império Romano causou a migração desse conhecimento para o Oriente. Desse modo, enquanto o Ocidente lidava com a Idade Média e seus desdobramentos, as comunidades árabes desenvolviam a ciência. Por fim, somente a partir do século XIII as informações milenares sobre ciência espalhavam-se também no Ocidente.

E aí, gostou de conhecer sobre a Máquina de Anticítera? Então leia sobre Maiores descobertas da história – Quais são e como revolucionaram o mundo.

Fontes: CanalTech | Aventuras na História | BBC | Oficial Da Net

Imagens: Mundo Engenharia | BBC | Portugal Mundial | CanalTech

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