Jano, quem é? Origem e história do deus romano das transições

Em primeiro lugar, Jano é o deus romano das portas, assim como dos começos e dos fins. Porém, existem versões que o apresentam como deus do passado e do futuro. Nesse sentido, sua representação como uma divindade de duas faces representa um importante papel na sua simbologia.

Ou seja, o fato de cada uma das faces estarem viradas para lados opostos contribui para a dualidade desse deus. No geral, existem diferentes atribuições para as duas faces e a dualidade. Sobretudo, Jano representa as transições, o espaço entre dois pontos e o caminho entre os extremos.

A princípio, cada face apresentava um aspecto específico, como o masculino e feminino, simbolizando inclusive a oposição entre Sol e Lua. Porém, as duas faces passaram a ter características específicas, muitas vezes representando a juventude e a velhice. Atualmente, é comum ver sua representação com ambos lados barbudos e de aparência seria.

Mais ainda, as representações do deus Jano o trazem carregando uma grande chave na mão direita, portando também uma coroa que une as duas faces. Contudo, podem haver variações, pois há ilustrações que incluem um cetro na sua mão esquerda, como simbologia da divindade como guia nas mudanças.

Curiosamente, Jano estampou inúmeras moedas romanas durante o século 2 a.C. Entretanto, as moedas antigas o apresentavam com quatro faces, cada uma em uma fase da vida.

Jano, quem é? Origem e história do deus romano das transições
Fonte: EM

História do deus Jano

Comumente, existem incontáveis versões sobre as origens do deus Jano. Por um lado, relatos o colocam como um homem mortal nascido em Tessália, filho do deus Apolo com Creusa. Desse modo, teria se tornado um rei na região de Lácio e foi elevado ao status de deus após sua morte.

Sobretudo, essa versão narra os feitos de Jano como um destemido explorador, que inclusive fundou uma cidade chamada Janícula após as explorações de seu exército. Ademais, casou-se com a ninfa Camasene de Lácio e com ela teve um filho, o deus-rio Tiberino. Curiosamente, essa versão coloca o filho de ambos como o responsável pelo nome do importante rio Tibre.

Em contrapartida, outros mitos o posicionam como regente de Lácio, na Itália Central, desde o início de sua jornada. Nesse sentido, essas versões afirmam Jano como responsável pela chamada idade de ouro da região, trazendo dinheiro, agricultura e fama ao reino.

Além disso, essa versão coloca Camasene como sua irmã e esposa, com quem teve um filho chamado Aethex e uma filha chamada Olistene. Mais ainda, ele teria navegado até a Itália e se instalado em uma montanha próxima de Roma. Eventualmente, nomeou a região de Janícula em sua própria homenagem.

De qualquer modo, os registros da Grécia Antiga não identificam o deus Jano na cultura dos gregos. Portanto, ele está associado como descendente de Eneias, além de Rômulo e Remo na criação do império romano. Apesar disso, há um consenso de que ele tornou-se um deus após falecer, tornando-se protetor de Roma.

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Fonte: Medium

Curiosidades e simbologia

Primeiramente, Jano costumava ser cultuado e adorado durante os períodos de colheita. No geral, esses rituais de celebração e homenagem cumpriam o papel de desejar pelo sucesso na renovação de um ciclo de plantio. Ademais, essa divindade romana fazia parte dos rituais de casamentos, nascimentos e outros eventos importantes de transição.

Desse modo, ele ficou popular por representar também a transição entre a vida selvagem e a civilização. Portanto, fazia parte da criação de assentamentos e das inaugurações de novas cidades conquistadas pelo império romano. Por outro lado, estava presente no equilíbrio entre o campo e a cidade, assim como nos momentos de paz ou guerra.

Sobretudo, o deus romano participava dos ciclos da vida, como a transição entre a juventude e a vida adulta dos homens romanos. Apesar de haverem diversos templos e portais para sua homenagem, o mais famoso era o portal Forum Romanum, por onde os legionários sempre passavam antes de ir pra guerra.

Curiosamente, estima-se que o primeiro mês do ano é dedicado a Jano, sendo chamado de Janeiro em sua homenagem. Sendo assim, a simbologia do mês como começo de ciclos e final de ciclos por meio do Ano Novo tem relação com a dualidade do deus romano.

Por fim, o deus Jano foi incorporado a outras culturas, incluindo a cristã. Sobretudo porque representa a transição e porta uma chave para representar a passagem entre etapas. Desse modo, costuma ser comparado a São Pedro, o porteiro do Paraíso no cristianismo.

E aí, aprendeu sobre Jano? Então leia sobre Cidade mais antiga do mundo, qual é? História, origem e curiosidades.

Fontes: Portal dos Mitos | WeMystic | Mitologia Portal | Amino

Imagens: Mitologia Guru | Medium / EM

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