Infiltrado na Klan – História real de um negro dentro da Ku Klux Klan

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman, em inglês) é um filme dirigido por Spike Lee e lançado em 2018 nos cinemas. Na história, um policial negro consegue investigar a organização Ku Klux Klan, ao se passar por um branco.

A trama é inspirada no livro “Black Klansman” de Ron Stallworth, mas tem origem na realidade. Isso porque o próprio Ron Stallworth foi o policial que conseguiu fazer parte da KKK, mesmo sendo negro.

Além disso, o filme garantiu a primeira indicação de Spike Lee ao Oscar, pela direção do filme. O elenco conta com John David Washington, filho de Denzel Washington, no papel de Stallworth, e Adam Driver como Flip Zimmerman, policial branco que também fez parte da investigação.

Ron Stallworth: o verdadeiro infiltrado na Klan

Infiltrado na Klan - a história real de um negro dentro da Ku Klux Klan
Vanity Fair

Durante os anos 70, Ron Stallworth tornou-se o primeiro policial negro da cidade de Colorado Springs. Apesar de membro da organização, ele era vítima de racismo mesmo entre seus companheiros de trabalho.

Seu envolvimento com a Ku Klux Klan começou a partir de contatos por telefone com a organização. No entanto, como era negro, Stallworth precisou contar com a ajuda de um parceiro branco. Enquanto ele mantinha contato com os membros da seita racista – incluindo seu líder, David Duke – o parceiro Chuck assumia sua identidade nos encontros ao vivo.

A história do envolvimento do policial com a organização ocorreu em 1979, mas foi mantida em segredo até 2006. Somente um ano depois de se aposentar, Stallworth revelou detalhes da investigação em uma entrevista, quando revelou que vários membros do Exército dos EUA faziam parte da KKK.

O livro com os relatos completos que deram origem a Infiltrado na Klan foi publicado em 2014, com o título “Black Klansman”. Dessa maneira, muitos dos eventos que parecem absurdos, na história, são reais. Entre eles, por exemplo, está o erro básico cometido por Stallworth: dar seu nome real no cadastro na KKK.

Ku Klux Klan

Infiltrado na Klan - a história real de um negro dentro da Ku Klux Klan
Brasil Escola

A Ku Klux Klan foi uma seita racista que surgiu no Tennessee, Estados Unidos, no fim do século XIX. Em 1866, um clube de soldados confederado se organizou numa organização extremista que atuava contra ex-escravos e seus descendentes.

Com o fim da Guerra Civil americana, os estados do sul do país perderam o direito de manter escravos. A partir desse momento, os negros passaram a ter direitos civis e constitucionais garantidos por lei. Entretanto, eles não eram os mesmos oferecidos a brancos, num sistema de segregação racial estruturado a partir da legislação.

Como a maior parte da força de trabalho dos latifúndios do sul era formada por escravos, os estados da região não reagiram bem à libertação. Nesse contexto, a KKK passou a atuar contra negros, promovendo atos de violência, tortura e homicídios.

Apesar da existência da KKK ter sido considerada inconstitucional pelo governo, em 1882, ela nunca deixou de atuar. A partir de 1915, a organização ganhou nova força, pregando também o ódio a judeus, imigrantes e outras minorias. Esses preconceitos também são retratados por Spike Lee, em Infiltrado na Klan, a partir do personagem de Adam Driver, judeu.

Outros eventos reais de Infiltrado na Klan

Jesse Washington

Infiltrado na Klan - a história real de um negro dentro da Ku Klux Klan
Build Nation

Durante uma das passagens de Infiltrado na Klan, o personagem Jerome Turner (Harry Belafonte) narra um episódio de violência de sua infância. O caso, envolvendo o jovem Jesse Washington, é real.

Em 1916, quanto tinha anos 16 anos, Jesse – negro – foi acusado de estuprar sua patroa – branca. Apesar da acusação não contar com testemunhas, o garoto foi coagido a confessar o crime e, diante de um tribunal formado por brancos, ele foi condenado à morte depois de poucos minutos.

Logo após o julgamento, Jesse foi arrastado para fora do tribunal e linchado pela população. Além disso, ele foi acorrentado num poste, onde foi castrado e teve os dedos cortados e o corpo queimado. Além disso, a barbárie ainda contou com vendas de partes de seu corpo e fotos do cadáver carbonizado como cartões postais.

Charlottesville

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Hypeness

Para encerrar Infiltrado na Klan, Spike Lee decidiu incluir algumas cenas reais de manifestações nos Estados Unidos. As principais manifestações apresentadas foram realizadas em Charlottesville, por grupos neonazistas locais.

Entre os confrontos promovidos pelos grupos, há o atropelamento a um grupo de negros que faziam uma manifestação antinazista. O episódio acabou provocando a morte de de Heather Heyer, de 32 anos.

Além das imagens, Lee também colocou no filme trechos do discurso do então presidente, Donald Trump. Enfim, em seu pronunciamento, Trump afirmou que os dois lados eram culpados pela tragédia, classificando ambos como violentos.

Fontes: Séries em Cena, Farofa Geek, Barulho Curitiba, Metro World News

Imagens: Build Nation, Hypeness, FFW, Vanity Fair, Brasil Escola

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