Gulag: a brutal vida de um prisioneiro no campo soviético

Quando a Revolução de Outubro de 1917 aconteceu e os bolcheviques criaram um tipo de prisioneiro, intitulado “inimigos de classe”, para enquadrar os membros do Exército Branco — mas que, na verdade, servia para qualquer opositor ao governo —, foi então que surgiu a primeira noção do que um gulag poderia ser.

No ano seguinte, Vladimir Lenin e Leon Trotsky cultivaram a ideia de criar campos de concentração de trabalhos forçados para onde os inimigos de classe poderiam ser enviados. O objetivo era que o local abrigasse aqueles libertados sob o Tratado de Brest-Litovsk, ficando sob a jurisdição da polícia secreta da Cheka, precursora da KGB e da NKVD.

Demorou até 1919, sob o governo de horror de Josef Stalin, para que o Comitê Executivo Central de Toda a Rússia aprovasse um decreto para erguerem o Gladvnoye Upravleniye LAGerey (GULAG), que significa Administração do Campo Principal, uma divisão especial da polícia secreta e do Ministério do Interior soviético responsável por supervisionar o uso do trabalho físico dos prisioneiros.

Ondas de morte

(Fonte: Safety and Staffing/Reprodução)(Fonte: Safety and Staffing/Reprodução)

O termo “gulag” só surgiu oficialmente a partir de 1930 para se referir aos campos de concentração. A essa altura, civis e pessoas completamente inocentes, presas com base em acusações forjadas, etnia ou sem causa aparente já se misturavam com criminosos e reincidentes políticos.

No final das contas, todo mundo poderia acabar no local por qualquer motivo ou por nenhum, e o resultado foi que, além de serem submetidos às condições inumanas de trabalho duro, sofrendo com a arbitrariedade dos guardas do campo, também foram aterrorizados pelos presos realmente criminosos.

Entre 1919 e 1953, estimam-se que mais de 30 mil gulags e campos individuais foram criados por todo o território da então União Soviética, somando quase 500 administrações formais dessas prisões.

(Fonte: Gulag Online/Reprodução)(Fonte: Gulag Online/Reprodução)

Transportados em vagões especiais chamados stolypins, esses inimigos de classe foram despejados nos gulags em três grandes ondas: a primeira aconteceu entre 1929 e 1932, durante os anos da coletivização da agricultura soviética; depois de 1936 a 1938, no apogeu dos expurgos stalinistas; e nos anos seguintes após a Segunda Guerra Mundial.

Com base em dados compilados pela própria administração dos gulags e de historiadores soviéticos, estima-se que cerca de 40 a 50 milhões de pessoas cumpriram penas longas entre 1928 e 1953 nesses arquipélagos de acampamentos, locais de enormes projetos econômicos para o país, como o canal do Mar Branco ao Mar Báltico.

Durante a década de 1930, considerado o auge dos gulags soviéticos, cada campo recebeu cerca de 10 mil prisioneiros por vez. Como consequência, as estimativas acadêmicas ocidentais apontam que as mortes no período de 1918 a 1956 variaram de 1,2 milhão a 1,7 milhão.

Vivendo no inferno

(Fonte: Radio Albion/Reprodução)(Fonte: Radio Albion/Reprodução)

Com ferramentas simples e rudimentares, sem nenhum equipamento de proteção, os soviéticos, poloneses, húngaros, franceses, americanos, tchecoslovacos e outros tipos de vítimas que desempenhavam obra escrava utilizada na produção de madeira e mineração, tiveram que enfrentar também as condições precárias de vida nos gulags.

O trabalho era tão árduo que, muitas vezes, para evitá-lo, os prisioneiros se mutilavam com machados ou se queimavam de propósito para ficarem livres. No entanto, eles acabavam correndo o risco de morte devido à inutilidade de sua presença no campo.

Aqueles que resistiam à tentação tinham que enfrentar um clima brutal, às vezes de temperaturas abaixo de zero, com roupas finas, sem cobertores e dormindo amontoados pelos chãos devido à superlotação. Muitos não amanheciam.

(Fonte: Radio Free Europe/Reprodução)(Fonte: Radio Free Europe/Reprodução)

A comida era racionada, porque a quantidade de calorias era pequena demais para os dias longos de trabalho. Além disso, se os prisioneiros não atingiam suas cotas diárias de trabalho, recebiam ainda menos comida. O resultado disso era a violência em massa, principalmente porque os criminosos costumavam oprimir os demais para darem suas rações.

Quando não era esse o cenário, o desespero também causava motins devido aos roubos de suprimentos. Os prisioneiros que saíam feridos depois que os guardas dissipavam a revolta, por vezes, morriam à míngua com alguma infecção devido às condições insalubres das instalações.

Os historiadores estimam que, anualmente, pelo menos 10% da população carcerária total dos gulags ao longo dos anos foi morta por agressão física ou baleadas. Com a morte de Stalin, em 1953, a resistência do gulag começou a encolher, sobretudo quando centenas de milhares de prisioneiros foram anistiados, entre 1953 e 1957.

(Fonte: ListVerse/Reprodução)(Fonte: ListVerse/Reprodução)

O sistema do gulag foi reduzido às proporções do início da década de 1920, até que fosse completamente extinto até 1960, quando suas atividades foram absorvidas e agrupadas sob um novo órgão governamental, o GUITK, um acrônimo para Administração Chefe das Colônias de Trabalho Corretivo.

Por muitos anos essas colônias foram utilizadas para presos interpolíticos e dissidentes soviéticos, ainda que não mais sob as condições doentias ou números da época stalinista.

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