Geometria é uma ‘língua’ que apenas os humanos conhecem?

Uma das coisas que mais orgulham a humanidade é poder dizer que os seres humanos são diferentes de qualquer outra espécie de animal que vive na Terra — sobretudo quando se resume ao nosso intelecto. Porém, quais tipos de pensamento são únicos e exclusivos ao cérebro humano? 

Segundo um novo estudo conduzido pelo neurocientista Stanislas Dehaene, Collège de France, nossa intuição geométrica tem grande papel nesse processo. Em workshop apresentado no Vaticano e organizado pela Pontifícia Academia de Ciências, o pesquisador argumentou que as formas geométricas e nossa capacidade de reconhecê-las desde jovem diz muito sobre como nossa cabeça funciona. Entenda!

Geometria na vida humana

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Em determinado momento na sua carreira, Dehaene e outros pesquisadores iniciaram um estudo que comparou  a capacidade de humanos e babuínos de perceber formas geométricas. Durante o projeto, a equipe se questionou qual era a tarefa mais difícil no domínio geométrico que poderia revelar uma diferença marcante entre primatas humanos e não humanos? 

Dessa forma, a pesquisa poderia medir não apenas a percepção visual, mas um processo cognitivo mais profundo. Na visão de Platão, os seres humanos sempre tiveram uma sintonia única com a geometria, sendo uma capacidade nossa biologicamente enraizada.

No experimento, os participantes viram seis quadriláteros e foram pedidos para detectar aquele que era diferente dos outros. O grupo de humanos, que incluiu alunos do jardim de infância, franceses e adultos da Namíbia rural sem educação formal, conseguiram identificar a discrepância sem problemas. Com os babuínos, a regularidade não fazia diferença, descobriu a equipe. 

Dados do experimento

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Ao longo do projeto, foram usados 26 babuínos de um centro de pesquisa no sul da França, que foram colocados em cabines de teste com telas sensíveis ao toque. Quando treinados para identificar a diferença entre objetos não geométricos — como uma maçã entre cinco melancias, por exemplo —, os animais tiveram grande eficácia.

Mas quando apresentados a polígonos regulares, seu desempenho entrou em colapso. Inclusive, a capacidade de manipular símbolos e conceitos abstratos é uma das coisas que mais faz o cérebro humano ser distinto e dificilmente replicado pelos sistemas de Inteligência Artificial (IA).

Um dos grandes motivos para essa disparidade de reconhecimento geométrico entre as espécies pode ser o fato de objetos possuindo lados paralelos e ângulos retos serem mais presentes e relevantes no cotidiano humano, enquanto que essa prioridade não acontece no mundo animal.

Funcionamento do cérebro

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

De acordo com Deahene, os primeiros dados mostram que os lobos pré-frontal e parietal são as regiões do nosso cérebro associadas ao “senso de número” humano. Ou seja, essas são as áreas do cérebro que iluminam a linguagem da geometria e funcionam como nossa rede de resposta à matemática.

A compreensão de diferentes linguagens é o que sempre colocou os seres humanos no patamar de singularidade, e aparentemente a conclusão não é diferente quando falamos de geometria. “Estamos propondo que existem linguagens – múltiplas linguagens – e que, de fato, a linguagem pode não ter começado como um dispositivo de comunicação, mas sim como um dispositivo de representação, a capacidade de representar fatos sobre o mundo exterior”, concluiu o pesquisador.

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