Genevieve Grotjan decifrou o código impossível dos japoneses na guerra

De fevereiro de 1939 até a rendição total do Japão aos Estados Unidos, em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, o Ministério das Relações Exteriores do Japão usou a Máquina de Cifragem Tipo B, renomeada “Purple” pelos americanos, um dispositivo eletromecânico que criptografava todos os tipos de mensagem. Na época, ele foi considerado indecifrável.

Mas em 20 de setembro de 1940, por volta das 14h, a matemática Genevieve Grotjan conseguiu o que todos julgavam ser impossível: decifrar os códigos usados pelos diplomatas japoneses ao anotar padrões, repetições e ciclos usados nas transmissões criptografadas interceptadas pelo Serviço de Inteligência de Sinais (SIS).

A garota dos códigos

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Nascida em 30 de abril de 1913, em Buffalo (Nova York), Grotjan se formou em bacharelado em Matemática, indo trabalhar na folha de pagamento do governo americano durante a Segunda Guerra Mundial até que fosse recrutada por William Friedman, um célebre criptoanalista que montava uma equipe para quebrar o código da cifra “Purple” do Exército Imperial japonês — visto que os britânicos já haviam desistido da tarefa e a rotulado como impossível.

Ainda jovem, Grotjan entrou para o time imenso das “garotas dos códigos”, buscadas em escolas, faculdades, universidades e cargos governamentais para que se mudassem para Arlington Farms (Virgínia, EUA) e contribuíssem com suas habilidades excepcionais para tentar desvendar códigos japoneses.

Algumas delas foram realocadas para o Anexo da Marinha, mas todas foram treinadas por William e Elizabeth Friedman, decifradores famosos e fundadores do que hoje é a Agência de Segurança Nacional.

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

A decodificação feita por Grotjan naquele dia permitiu que o SIS construísse um aparelho equivalente ao Purple para interceptar quase todas as mensagens trocadas entre o governo japonês e suas embaixadas em países estrangeiros.

Então, eles tiveram acesso aos relatórios completos codificados no Purple pelo Hiroshi Oshima, então embaixador japonês em Berlim, que era a principal fonte de inteligência dos planos do grupo do Eixo.

Para William Friedman, a quebra da cifra Purple forneceu “a fonte mais importante de inteligência estrategicamente valiosa e de longo prazo”.

De fora da História

(Fonte: U.S. Army/Associated Press)(Fonte: U.S. Army/Associated Press)

Por sua excelência e trabalho bem-sucedido, Grotjan foi designada para atuar no Projeto Venona, cujo objetivo era decodificar mensagens criptografadas enviadas pela KGB soviética e pela Diretoria Principal de Inteligência (GRU).

Mais uma vez, a matemática provou sua capacidade em novembro de 1944, o que permitiu aos criptógrafos americanos reconhecerem quando uma cifra individual de um bloco de tempo era indevidamente reutilizada.

A mulher trabalhou no SIS até 1947, quando renunciou ao cargo do governo para se juntar ao corpo docente da George Mason University como professora de Matemática.

Genevieve Grotjan integrou um elenco de mulheres brilhantes, com Dot Braden e Ruth Weston, que nunca falaram de seu trabalho mesmo após o término da guerra, mantendo-se anônimas.

A história também pouco reconheceu o trabalho que elas fizeram, destino cruel do que era ser uma mulher brilhante no século XX em um mundo tão machista — e branco na maioria das vezes.

Ainda que Grotjan não tenha decifrado o Purple a tempo de evitar o ataque ao Pearl Harbor, o trabalho que fez foi crucial durante a Batalha de Midway, servindo como uma isca e armadilha para os japoneses.

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