Enviar crianças pelo correio: uma prática do século XX nos EUA

Se as gaiolas projetadas para bebês que ficavam penduradas a vários metros do chão do lado de fora das janelas dos edifícios nos Estados Unidos, principalmente nos centros metropolitanos da década de 1920, já foram consideradas controversas o suficiente no cuidado de crianças — o envio de bebês pelo correio, que começou alguns anos antes, pode ser considerado ainda mais polêmico.

Morte e ferimentos são um dos motivos pelos quais são proibidos no mundo inteiro que seres vivos sejam enviados através do sistema postal, porém não foi considerado que alguém faria isso quando o serviço foi criado.

Foi no começo de 1913 que um casal de Ohio decidiu enviar para a casa dos avós seu filho recém-nascido pelo recém-criado Serviço Postal dos EUA, a um quilômetro e meio de distância. Afinal de contas, os regulamentos do serviço não falavam nada sobre isso ser algo proibido.

Tempos caóticos

(Fonte: National Postal Museum/Reprodução)(Fonte: National Postal Museum/Reprodução)

Os regulamentos extremamente vagos dos correios daquela época sobre as proibições foram um dos motivos de a situação ter saído do controle, colocando o ano de 1913 como o mais caótico.

Isso porque as pessoas passaram a testar os limites do sistema enviando tudo o que poderiam imaginar, de tijolos a seres humanos em caixas, sobretudo devido à falta de normas com relação ao peso permitido de cada encomenda.

(Fonte: National Postal Museum/Reprodução)(Fonte: National Postal Museum/Reprodução)

Até 1915, houve 7 casos documentados de pessoas que enviaram crianças pelo correio para longas distâncias, porque era mais barato comprar os selos que custavam até 15 centavos do que uma passagem de trem.

A ideia foi embasada com a sensação de segurança, visto que, nas áreas rurais, a maioria das pessoas conhecia os carteiros, então não sentiam como se estivessem entregando seus filhos para estranhos.

A última viagem

(Fonte: National Postal Museum/Wikimedia Commons)(Fonte: National Postal Museum/Wikimedia Commons)

Foi só quando o chefe dos correios, Albert S. Burleson, ficou sabendo sobre a prática de enviar crianças como encomendas, com o caso de May Pierstorff, cujos pais a mandaram para a casa de seus avós a 110 quilômetros de distância, em fevereiro de 1914 — que ele proibiu oficialmente os funcionários de aceitarem humanos como correspondência.

No entanto, isso ficou restrito ao estado de Ohio, o que não impediu que pessoas em outros cantos do país continuassem a prática econômica. No ano seguinte, uma mulher enviou sua filha de 6 anos de sua cada na Flórida para a casa de seu pai em Virgínia, a 1.158 quilômetros de distância, no que ficou configurado como a viagem postal infantil mais longa identificada.

A prática só teve fim em meados de agosto de 1915, com Maud Smith, então com 3 anos, sendo a última a fazer uma viagem pelo correio dos EUA, depois que a história virou notícia no país.

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