Emily Davison: a mulher que se sacrificou publicamente pelo direito ao voto

As sufragistas foram um grupo de mulheres que lutaram, na Grã Bretanha, pelo direito ao voto feminino — conquista obtida em 1918. A luta das sufragistas inspirou pessoas no mundo inteiro, que usaram o seu exemplo para pleitear a mesma revolta em seus países.

Até hoje, estas mulheres são reverenciadas por sua importância dentro do movimento feminista. Uma das mais importantes foi a governanta Emily Davison, que sacrificou sua vida enquanto fazia um protesto: ela morreu após pular na frente do cavalo do rei da Inglaterra, com uma bandeira do Women’s Social and Political Union (WSPU) costurada em sua jaqueta, durante o tradicional evento Epsom Derby.

A história de Emily Davison

(Fonte: Wikipedia)(Fonte: Wikimedia Commons)

Emily Wilding Davison nasceu no sudeste de Londres em outubro de 1872. Ela obteve formação acadêmica no Royal Holloway College e na Universidade de Oxford. Filha de uma família de classe média baixa, após a morte de seu pai não teve como pagar as mensalidades e teve que deixar a faculdade.

Em 1906, aos 34 anos, ela se juntou à Women’s Social and Political Union, grupo fundado por Emmeline Parkhurst, considerada a líder do movimento sufragista. Na época, Emily trabalhava como governanta, mas largou seu emprego para dedicar-se ao movimento. Era uma militante ruidosa: foi presa várias vezes por conta de atos públicos que participou.

Presa em 1909 por jogar pedras na carruagem de um chanceler, Emily Davison foi enviada a um mês de trabalhos forçados na prisão Strangeways, em Manchester.  Na prisão, chegou a fazer greve de fome e, ao ser solta, processou os diretores de Strangeways. O envolvimento de Emily com o movimento sufragista só aumentou depois de sua prisão. Sua jornada nesta luta se encerraria no dia 4 de junho de 1913, durante o Epsom Derby, uma tradicional corrida britânica de cavalos.

A morte durante o protesto

Emily estava decidida a chamar a atenção para o movimento sufragista, não importa o que custasse. Ela acreditava que, se voltasse a ser presa, acabaria sendo morta de forma obscura pelos guardas. Então encontrou um evento com muita visibilidade para se manifestar: o Epsom Derby, que estaria lotado de pessoas, incluindo o rei George V e a rainha Mary.

As circunstâncias de sua morte não são totalmente esclarecidas até hoje. Mas acredita-se que Emily Davison tenha planejado pular na frente do cavalo do rei, Anmer, quando ele passasse na sua frente no hipódromo. Ele era facilmente identificável pois o jóquei que o montava estava vestindo as cores do rei.

Emily abriu caminho entre a multidão e passou por baixo de uma proteção que separava as pessoas dos cavalos que corriam. Quando Anmer entrou na curva final, Emily se jogou na frente dele, com a bandeira sufragista costurada em sua roupa. O jóquei caiu do cavalo e só sofreu ferimentos leves. Já Emily foi levada às pressas para o hospital, mas morreu quatro dias depois.

Um símbolo do movimento sufragista

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

O plano de Emily Davison deu certo, visto que sua morte trouxe muita repercussão para o movimento que participava. Seu funeral foi organizado pelo próprio Women’s Social and Political Union e reuniu milhares de pessoas em Londres. O lema da WSPU, “ações, não palavras”, foi gravado em sua lápide.

Sua história e seu sacrifício são lembrados até hoje. Ela, inclusive, foi retratada no filme As Sufragistas (2015)dirigido por Sarah Gravon e estrelado por atrizes como Meryl Streep, Carey Mulligan e Helena Bonham Carter. No filme, Emily é interpretada pela atriz Natalie Press.

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