E se os Incas tivessem conquistado a Europa e não o contrário?

Versão alternativa da história, Civilizações, mais recente obra do escritor francês Laurent Binet, imagina uma realidade distinta da que conhecemos. Ao invés da Espanha conquistando e devastando as populações originárias da América do Sul, seria o Império Inca, comandado por Atahualpa, o último rei da civilização, que teria adentrado o território espanhol e dado início à colonização do império de Carlos V, do sacro império romano-germânico.

Para tanto, o autor imagina um incidente, relativamente plausível, que teria mudado o curso da história: vikings, em vez de apenas passarem pela costa canadense, são forçados a se estabelecerem na região. Anos depois, a herança da presença viking (que iria das armas de ferro a anticorpos) teria dado mecanismos para que os povos da América reagissem à chegada de Cristóvão Colombo.

Cavalos, aço, anticorpos – e imprevistos do acaso

(Fonte: Mythologica)(Fonte: Mythologica)

Binet tirou a inspiração para sua obra de Guns, Germs and Steel (Armas, Germes e Aço, em tradução literal), de Jarred Diamond, que possui um capítulo dedicado a falar sobre Atahualpa, o último imperador Inca, e Francisco Pizarro, o europeu que invadiu e dominou o Peru.

No capítulo em questão, Diamond levanta a questão, procurando entender a razão de Pizarro ter vindo ao Peru e não Atahualpa à Europa. A teoria para tal também foi retirada do livro de Diamond, segundo a qual os incas, nativos americanos, precisariam de três coisas para poder resistir à invasão espanhola: cavalos, aço e, principalmente, anticorpos.

Como tinham mais animais domésticos, os europeus acabam mais expostos a micróbios, o que lhes permitia criar anticorpos a doenças específicas, realidade distinta dos povos americanos. Desta forma, a presença dos vikings no Canadá, por volta do ano mil, poderia, quem sabe, ter modificado essa situação, trazendo cavalos, armas e anticorpos aos povos locais, garantindo tempo para que os indígenas da América resistissem à chegada de Cristóvão Colombo.

Ocupação da Europa seria semelhante, afirma autor

(Fonte: BBC/Getty Images)(Fonte: BBC/Getty Images)

O autor de Civilizações, através de um extenso processo de pesquisa, levantou informações sobre os envolvidos em seu romance. Sobre o imperador Atahualpa, o que se sabe é que, além de inteligente, era muito astuto e pragmático. Por esta razão, acredita que em uma incursão dos indígenas da América para a Europa o processo de domínio territorial seria semelhante ao ocorrido aqui.

Isso porque os incas não eram uma democracia, mas um império imperialista, que vivia, à época, franco processo de expansão. Na obra, ele constrói a estratégia de Atahualpa como alguém que raciocinaria e se comportaria como o colonizador Hernan Cortés (que destruiu o Império Asteca), procurando encontrar aliados entre as minorias oprimidas, como judeus, muçulmanos e camponeses alemães.

Por que os incas e não astecas?

(Fonte: Educa Mais Brasil)(Fonte: Educa Mais Brasil)

O Império Asteca e o nome do imperador Montezuma são muito comentados quando se estuda as civilizações pré-colombianas. Ainda assim, Laurent Binet optou pelos incas para compor sua obra. Segundo o autor francês, isso se deu puramente fruto do acaso.

No processo de pesquisa para a escrita, visitou a Feira do Livro de Lima antes do evento de Guadalajara, no México. Desta forma, entregou uma trama com Atahualpa como personagem central ao invés de Montezuma. Porém, como afirmou em entrevista à BBC Brasil, no fim a organização econômica e social dos incas era mais interessante que a dos astecas. Ou seja, um acaso bem feliz.

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