Dia de Ler Tolkien: por que a obra do autor é tão importante?

John Ronald Reuel Tolkien foi um dos escritores mais importantes e influentes do século XX. Conhecido por ter escrito O Hobbit e O Senhor dos Anéis, sua obra é bastante vasta e conta com mais de 50 títulos — a maior parte lançada após a sua morte.

Nascido na África do Sul, ele se mudou para a Inglaterra com a mãe e o irmão aos três anos de idade e sempre gostou de brincar inventando criaturas fantásticas. Durante a adolescência ele já começou a se interessar por criar línguas também e em pouco tempo misturou tudo, dando origem à Terra-média, o cenário das suas principais obras.

E assim, sem nem imaginar, Tolkien estava mudando o rumo da literatura fantástica para sempre. Hoje, quase 50 anos após a sua morte, o universo que ele criou está mais vivo do que nunca, seja nas páginas dos seus próprios livros, seja como influência em inúmeros autores.

Dia de Ler Tolkien

A vastidão da obra de Tolkien também inspirou a criação de diversos grupos de estudos, como a Tolkien Society. Este grupo, criado enquanto ele ainda estava vivo, tem como objetivo estudar e difundir sua literatura para as próximas gerações. Ele também deu origem ao Tolkien Day, ou Dia de Ler Tolkien, uma data comemorativa que tem como objetivo estimular as pessoas a lerem a obra do mestre.

Hoje, todo esse universo criado por Tolkien influencia diversas obras de fantasia que continuam alimentado o imaginário das pessoas. The Witcher, Game of Thrones e Harry Potter, são apenas algumas das sagas influenciadas pelo legendarium (as histórias sobre a Terra-média). Além disso, seus livros deram origem à trilogia O Senhor dos Anéis e O Hobbit nos cinemas e vão ganhar uma nova adaptação pela Amazon Prime Video com a série Os Anéis de Poder.

Por que sua obra ainda é relevante?

Poema élfico escrito em Sindarin por Tolkien para 'O Senhor dos Anéis'.Poema élfico escrito em Sindarin por Tolkien para ‘O Senhor dos Anéis’.

Antes de Tolkien começar a trabalhar nas suas histórias, ele já estava pensando e criando línguas. Elas tinham influência de idiomas nórdicos, anglo-saxões e celtas, e deram origem ao Quenya e ao Sindarin, por exemplo, duas das principais línguas élficas.

Uma vez que ele já tinha criado vários sistemas de fala e idiomas — com regras bem complexas, por sinal —, Tolkien decidiu dar algum sentido para isso. Seu primeiro trabalho foi o Livro dos Contos Perdidos, que mais tarde se tornou O Silmarillion, e conta a origem da Terra-média, o local onde se passam suas principais histórias.

O Silmarillion só foi publicado em 1977, quatro anos após a morte do autor, mas sua versão inicial, lá da década de 1920, foi um estímulo para que ele continuasse escrevendo. Assim, quando publica O Hobbit em 1937, o autor já havia criado dezenas de povos, cada um utilizando um sistema de linguagem diferente, além de uma história de criação de mundo e diversas guerras que já aconteciam há milhares de anos.

Assim, o legendarium de Tolkien se parece com uma mitologia verdadeira, e não apenas com um compilado de histórias da fantasia. Ao ler O Senhor dos Anéis, é possível ouvir a canção sobre a queda de Gil-galad, conhecido como o último Alto Rei dos Elfos do Oeste, ou sobre a Rainha Berúthiel. Ambas poderiam ser citações sem um significado maior, porém, o autor escreveu sobre os dois personagens em outros livros (O Silmarillion e Contos Inacabados, respectivamente).

Isso faz com que ler uma obra de Tolkien pareça algo maior, porque realmente é. O autor fez com que sua literatura lembrasse os livros de história medieval, por exemplo, onde tudo está completamente conectado.

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