Dália Negra – História do homicídio que chocou os EUA nos anos 40

Em 1947, a jovem aspirante a atriz Elizabeth Short foi brutalmente assassinada nos Estados Unidos. O caso ficou internacionalmente conhecido por Dália Negra (Black Dahlia), numa associação feita pelo jornal L.A. Herald com o filme de nome similar, Blue Dahlia, lançado no ano anterior.

Além de ter sido marcado pela violência chocante, o caso também é lembrado por nunca ter tido uma solução. Ao todo, 59 pessoas confessaram o crime e 25 investigadas. Apesar disso, a polícia nunca conseguiu chegar a uma conclusão definitiva sobre o crime.

Em 2006, a história de Elizabeth Short inspirou o filme Dália Negra, de Brian de Palma. Além disso, a história também ganhou destaque num dos episódios da primeira temporada de American Horror Story, em 2011.

Elizabeth Short

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Elizabeth Short nasceu em Massachussets, em 29 de julho de 1924. Terceira de cinco filhas, foi abandonada muito cedo pelo pai. Além disso, sua infância também foi marcada por alguns problemas de saúde. Entre eles, por exemplo, estavam condições respiratórias como asma e tuberculose.

Já adolescente, ela foi viver na Califórnia. Apesar do abandono paterno na infância, a jovem acabou indo morar com o pai por um tempo. A relação entre os dois, no entanto, era tomada por muitos confrontos. Entre os principais motivos, estava o fato de Betty – como era chamada – ser muito namoradeira.

Reconhecidamente muito bonita, com olhos azuis, cabelos negros e roupas predominante pretas, a jovem chamava atenção. Mais tarde, inclusive, a investigação policial do caso Dália Negra iria levar isso em conta. Isso porque a polícia considerava que parte da personalidade da vítima seria responsável por criar uma imagem de presa fácil para criminosos.

Uma vez que queria ser atriz de Hollywood e era muito carente, Betty frequentemente aceitava trocar favores sexuais por roupas, abrigo, comida e oportunidades. Dessa maneira, sua posição de fragilidade era um ponto fácil de ser explorado por um criminoso disposto a dominar ou machucar uma mulher nessa posição.

O caso Dália Negra

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O início do caso Dália Negra acontecem em 15 de janeiro de 1947

O corpo de Elizabeth Short foi encontrado em um terreno baldio no bairro Leimert Park, em Los Angeles. Aos 23 anos de idade, a jovem foi vítima de um crime que chamou atenção principalmente pelos traços de crueldade.

Além de estar com cortes e ferimentos por todo o corpo, incluindo a face, Betty teve o corpo inteiro cortado ao meio. Além disso, a polícia também concluiu que a vítima provavelmente fora amarrada e torturada por vários dias, antes de sua morte.

No entanto, tanto o local como o corpo da vítima não estavam cobertos de sangue. Isso foi o suficiente para a polícia determinar que o corpo tinha sido lavado após o crime, e só então levado para o terreno baldio.

Investigação

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O caso recebeu o nome Dália Negra assim que foi repercutido nos jornais, especialmente no L.A. Herald Express. Mas além desse, outros veículos de comunicação tiveram parte importante no crime.

Poucos dias após o descobrimento do corpo, o jornal Los Angeles Herald Examiner recebeu um pacote com um bilhete com os dizeres “Aqui estão os pertences da Dália”. Junto da mensagem, estava o cartão da segurança social da jovem, sua certidão de nascimento, um telegrama, alguns cartões de visita, uma agenda com algumas páginas arrancadas e fotos dela com diversos militares.

Além disso, o jornal responsável pelo nome Dália Negra também recebeu centenas de denúncias e pistas sobre o crime. Nesse contexto, 59 pessoas chegaram a assumir a autoria do homicídio, mas todas foram descartadas pela polícia.

Oficialmente, 25 suspeitos foram investigados, mas nenhuma conclusão foi encontrada. Dessa maneira, ainda hoje o caso continua sem resposta.

Principais suspeitos do caso

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A princípio, o principal suspeito ligado ao caso Dália Negra foi Robert Manley. O vendedor teria oferecido uma carona para a jovem, depois que ela foi mandada embora da casa da família French, onde estava hospedada.

De acordo com os depoimentos de Manley, os dois passaram a noite de 8 de janeiro juntos, antes da jovem ser deixada no Biltmore Hotel. Ali, segundo ele, Betty se encontraria com a irmã.

Durante o depoimento, Manley teve crises profundas de depressão e precisou ser submetido a terapia de choque. Ele foi internado num hospital psiquiátrico, onde acabou confessando o crime. No entanto, anos mais tarde ele revelou que não sabia nada sobre o caso, depois de ser submetido a doses de sodium pentothal, conhecido como soro da verdade.

Além de Manley, um homem chamado Arnold Smith também é apontado como provável assassino no caso Dália Negra. De acordo com relatos do investigador da Polícia de Los Angeles, John St. John, Smith também teria sido responsável pelo assassinato violento de Georgette Bauerdorf um ano antes.

No caso de Bauerdorf, o homicídio teria sido motivado pelo término do relacionamento e envolvia um homem alto, magro e manco como principal suspeito. Smith, já fichado por outros crimes, batia com a descrição. Além disso, em depoimento ele chegou a dizer que ouvira relatos dos homicídios de Bauerdorff e Short de um homem chamado Al Morrison. Segundo o detetive, no entanto, Al Morrison provavelmente era um alterego do próprio Smith.

Curiosidades sobre o caso Dália Negra

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  • O pai de Elizabeth Short não quis se envolver nas investigações do caso e o reconhecimento do corpo ficou por conta de sua mãe. Ela, inclusive, soube da morte da filha a partir de um jornalista que contou a história antes das autoridades;
  • Outros crimes semelhantes ao caso Dália Negra aconteceram no período após o caso, sugerindo a possibilidade do caso estar ligado a algum serial killer nunca descoberto;
  • Segundo a polícia, o assassino de Short tinha traços de muita organização – por ter lavado o corpo, por exemplo -, mas também de desorganização – por mutilar o corpo de forma confuso e desordenada;
  • Além disso, o perfil sugere um assassino com ódio as mulheres e desejo de chocar a sociedade; mais rico que a vítima e provavelmente caçador ou açougueiro, pela habilidade com o corpo.

Fontes: Aventuras na História, Aventuras na História, Rolling Stone, Cláudia Lemes

Imagens: Click Americana, Rolling Stone

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