Como soviéticos de 1960 viam os 100 anos da revolução em 2017

Em 8 de março de 1917 aconteceu a Revolução Russa, um período de conflitos que culminou na ascensão da União Soviética e derrocada sistêmica da monarquia russa e do Império Russo, levando ao poder o Partido Bolchevique de Vladimir Lenin.

Pensando em comemorar o centésimo aniversário da revolução, cápsulas do tempo foram enterradas em 1967 com cartas escritas por jovens que estariam vivos em 2017, celebrando as conquistas da dominação soviética e antevendo vários feitos fundamentais para a prosperidade da nação.

O que eles não imaginavam é que o estado soviético não existiria mais 100 anos depois.

Um futuro que não chegou                           

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Na cápsula do tempo enterrada na cidade siberiana de Novosibirsk, um jovem escreveu: “Queridos descendentes, vocês estão comemorando um dia extraordinário — o centenário do domínio soviético. Nós os parabenizamos pelo grande e glorioso jubileu. Sabemos que nosso tempo é interessante, mas o seu é ainda mais. Acreditamos que você equipou nosso planeta azul excepcionalmente bem, explorou a Lua e pousou em Marte. Você continuou a dominar o espaço e suas naves estão varrendo a galáxia”.

(Fonte: Creative Review/Reprodução)(Fonte: Creative Review/Reprodução)

Muito pouco disso, é claro, chegou a acontecer e não exatamente da maneira que o jovem colocou em sua carta. A União Soviética conquistou o espaço, principalmente tendo como objetivo chegar à Lua, e foi considerada a potência de maior proeminência de toda a Corrida Espacial, ainda que não tenha cumprido seu plano de pousar em solo lunar. Os soviéticos ficaram conhecidos como aqueles que estavam a frente dos americanos e de seu próprio tempo na tecnologia espacial.

Na região de Adiguésia, as pessoas esperavam que a juventude de 2017 continuasse sua luta contra o “imperialismo ocidental” e que a luta progressista obtivesse vitórias decisivas contra o “inimigo do povo”. E os jovens do passado invejariam os do futuro por terem fortificado a União Soviética construída por seus antepassados.

Um futuro de propaganda

(Fonte: The Calvert Journal/Reprodução)(Fonte: The Calvert Journal/Reprodução)

Mas esses não foram os únicos registros de como os soviéticos imaginavam que os jovens e a nação estariam desfrutando do centenário da Revolução Russa em 2017. Uma tira de filme propagandista de 45 quadros do início de 1960, encontrada em uma coleção familiar de Sergei Pozdnyakov, morador de São Petersburgo, mostra um dia na vida de Igor, um menino que vive na Moscou de 2017.

Intitulado No Ano de 2017, o filme foi criado por V. Strukova e V. Schevcheko, produzido pelo Diafilm Studio, e mostra uma conversa do jovem com sua mãe a bordo de um navio no Mar Negro por meio de um videofone, programado para fazer chamadas de vídeo, assim, prevendo o surgimento da conectividade móvel de hoje. A tecnologia também estaria avançada o suficiente para que a comida, por exemplo, fosse cozinhada automaticamente assim que um pedido em um restaurante fosse feito.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Esse tipo de engenhosidade instantânea foi lida como “o desespero soviético para projetar uma visão exagerada da ciência desenvolvida por eles”. Com isso, o filme tentou prever, erroneamente, que viagens interestelares seriam comuns usando naves espaciais que se moviam na velocidade da luz; o núcleo da Terra seria explorado como fonte de energia eterna por máquinas resistentes ao calor alimentadas por uma energia recém-descoberta chamada méson; estações controlariam o clima do planeta depois que os últimos imperialistas sobreviventes causaram uma explosão com uma arma proibida de méson.

A verdade é que não só nada disso aconteceu, como também o aniversário de 100 anos foi celebrado de maneira extremamente discreta em 2017, com pouca ou quase nenhuma cobertura da mídia.

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