Como os seres humanos estão interferindo na evolução do planeta

Você já ouviu falar dos xenorrobôs? Pois é provável que você comece a ouvir mais sobre eles com o tempo. Os xenorrobôs, como o nome sugere, são pequeníssimos robôs feitos de tecidos vivos. Em outras palavras, são robôs orgânicos, destoando da nossa ideia que associa robôs a aparatos feitos de metal.

O avanço da ciência tem nos possibilitado assistir a criações como esta: robôs criados por células vivas, como as da pele e do coração. Eles simbolizam um avanço da biologia, que, historicamente, caminhou em ritmo bem mais devagar que a engenharia. Por esta técnica, já foi possível desenvolver, a partir de células-tronco de sapos, novas células que criaram uma espécie de “perninha” (daí o nome xenorrobô – xenopus significa “pé estranho”) que as ajuda a “caminhar” rapidamente em ambientes que seriam naturalmente inóspitos.

Ocorre, no entanto, que essa criação humana levanta também algumas questões de natureza ética. Como estas células, criadas artificialmente em laboratório, geram organismos novos muito mais adaptáveis às condições adversas, elas acabam pulando etapas da evolução natural.

O impacto da ciência na evolução da humanidade

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

É fato que os seres humanos, desde sempre, interferiram na natureza e naquilo que seria o seu curso normal. Nós domesticamos os animais, criamos novas raças de cachorros, geramos a poluição, industrializamos a agricultura.

Por isso, dá para dizer que a humanidade é a maior força a interferir na evolução do mundo. Ainda assim, a evolução é sempre lenta – e acelerar esse processo pode levar a consequências sérias. Certos animais, por exemplo, tendem à extinção quando seu habitat se modifica. Há dados científicos que estimam que a taxa de extinção de certas espécies é mil vezes maior hoje do que seria se não houvesse interferência humana.

Por isso, os biólogos hoje falam sobre microevoluções que podem ocorrer em períodos que durem algumas poucas gerações, um tempo muito mais curto que o normal. Um exemplo bastante conhecido é o da mariposa apimentada, um inseto que sofreu uma mutação genética pro conta do ambiente: sua cor mudou de um branco salpicado para o preto por conta da fuligem vinda das chaminés da Grã-Bretanha na época da Revolução Industrial.

As consequências a longo prazo

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Os pesquisadores acreditam que este é um assunto que precisa ser cada vez mais tratado pela biologia. “Nós estamos homogeneizando o planeta de algumas formas. Por outro lado, estamos fazendo essas mudanças ambientais realmente extremas”, pontua Sarah Otto, bióloga da Universidade British Columbia, no Canadá, em entrevista para a BBC.

No entanto, a criação de novos organismos, como os xenorrobôs, pode significar avanços científicos maravilhosos para a vida humana. “Você poderia projetá-los para identificar químicos em particular, quase como um programa de computador que diz ‘se você identificar um material tóxico, nade em sua direção, libere um químico que reaja com a toxina'”, explica Douglas Blackiston, biólogo da Universidade Tufts, nos Estados Unidos.

A grande questão é que o desenvolvimento da ciência não pode ocorrer de forma isolada ou imediatista, sem analisar os possíveis desdobramentos a longo prazo. Isto porque as consequências dessa interferência na natureza podem ser arrasadoras. Podem levar, além de todos os fatores já citados, a problemas como a criação de novas doenças e pandemias. “A evolução é esse processo incrivelmente criativo e não vai parar. Vai continuar a produzir variantes que são mais capazes de nos tolerar”, complementa Otto.

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