Como eram os hábitos de higiene durante o Império Romano?

O saneamento na Roma Antiga, adquirido dos etruscos, foi considerado o mais avançado de todas as civilizações daquele tempo, em boa parte porque os romanos eram conhecidos por serem obcecados por higiene. Não é para menos que os banhos públicos e piscinas termais que ficaram famosos ao longo da História foram definidos como “o grande ato de higiene romana” —, mas talvez não tenha sido bem assim.

De fato, toda a parte da necessidade por se manter impecável fazia parte do processo, mas é importante salientar que nem sempre uma adoração por se manter submerso em água significa que ela esteja limpa.

O acesso das classes à higiene básica

(Fonte: Imperium Romanum/Reprodução)(Fonte: Imperium Romanum/Reprodução)

Como em boa parte da História, é importante ressaltar que a higiene no período romano era algo considerado um luxo, visto que só quem pudesse pagar tinha acesso aos notórios banhos públicos e piscinas termais que marcaram a época, e só as classes mais altas podiam usufruir de água corrente, porque ela não chegava nas regiões onde ficavam os cortiços.

Isso significa que os imperadores e todos os membros da realeza usufruíam incansavelmente da água, tanto fora como nos palácios e mansões, por meio de canos de chumbo ligados aos aquedutos.

Já os pobres, que não tinham acesso à água corrente, faziam suas necessidades fisiológicas em penicos ou caixas, armazenadas em cubas sob as escadas para depois serem esvaziadas em fossas localizadas em várias partes da cidade.

O cheiro pelo ar era perturbador, principalmente durante os dias mais quentes do ano, quando as fezes fermentavam sob o ressecamento da urina ao ar livre.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

O hábito de tomar banho diariamente surgiu no período romano, ainda que tenha diminuído séculos mais tarde devido a diversos fatores socioeconômicos e culturais, mudando conforme a região.

Mas os romanos faziam isso porque o banho era visto como uma espécie de ritual, que precisava ser feito, principalmente, em dias de festa. Além disso, os banhos públicos eram acessíveis a quase todos, exceto àqueles que realmente viviam na miséria.

Aparência: o maior cuidado

(Fonte: History Extra/Reprodução)(Fonte: History Extra/Reprodução)

Os romanos antigos se importavam muito com a aparência, principalmente a higiene do corpo com relação aos pelos, por isso a depilação também era uma prática levada muito a sério entre os homens. Além da limpeza e alinhamento que proporcionava, evitava os piolhos. O imperador Júlio César era meticuloso na depilação, ordenando que não sobrasse nenhum pelo em nenhuma parte de seu corpo.

Durante o período Clássico, era comum que as pessoas removessem as camadas de sujeira e de suor com uma ferramenta conhecida como strigil, feita de ferro e com uma ponta afiada como a de uma foice. Ela também era o equivalente ao sabão e bucha de banho da época, servindo para raspar da pele o óleo perfumado usado para terminar o trabalho do banho.

O problema é que a lâmina do strigil acabava machucando, irritando e causando vergões na pele, podendo até infeccionar se não tratados adequadamente. O imperador Augusto ficou conhecido por usar o aparelho com tanta força que marcou seu rosto para sempre.

Não se deixe enganar

(Fonte: MedinAction/Reprodução)(Fonte: MedinAction/Reprodução)

Não se deixe enganar por toda essa obsessão por água e higiene dos romanos, porque isso não significa que tudo era limpo. Depois da Grécia, de fato, Roma era o único lugar da Europa que tinha banheiros, e suas tecnologias impressionantes em sistemas de saneamento impressionaram tanto pela engenhosidade quanto pelo quão sujo poderiam ser.

Isso porque pesquisas clínicas modernas apontaram que os banheiros e a água potável são fatores determinantes para a diminuição do risco de infecções gastrointestinais humanas por bactérias, vírus e parasitas, mas que não foi isso que aconteceu durante o Império Romano.

Piers Mitchell, professor afiliado em Antropologia Biológica da Universidade de Cambridge, em um artigo para o The Conversation, relatou em seu estudo publicado na Parasitology que não houve uma queda no número de parasitas espalhados por más condições sanitárias após a chegada dos romanos. Na verdade, houve um aumento gradual durante o período, sugerindo que as tecnologias desenvolvidas por eles não eram tão eficazes como se pensava.

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