Azul é a cor mais rara: por que quase não a vemos na natureza?

Olhar para o céu ou para o mar pode nos influenciar, mas a verdade é que a cor azul é bastante rara na natureza. E não somos nós que estamos dizendo, são cientistas.

Entre seres vivos, como animais e plantas, a cor azul é raríssima, tão incomum que um jornalista alemão especializado em ciência, Kai Kupferschmidt, escreveu um livro a respeito chamado Blue: In search of nature’s rarest color (Azul: em busca da cor mais rara da natureza, em tradução livre).

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Por que a cor azul é tão rara?

(Fonte: Pexels)(Fonte: Pexels)

Os pigmentos que os animais exibem em sua pelagem, pele ou penas têm relação direta com a dieta deles, isto é, com os alimentos que estes animais consomem. Por exemplo: o salmão tem a cor rosa em virtude do marisco rosa que faz parte de sua alimentação; os pintassilgos possuem a cor amarela em virtude das flores que consomem, e nem preciso dizer a cor das flores, correto?

Já o azul aparece na natureza em virtude da estrutura das moléculas do corpo dos animais e como elas refletem a luz. Um bom exemplo é o caso da borboleta do gênero Morpho, uma das mais famosas. Sua cor azul é resultado de como as escamas de suas asas são moldadas.

Já no caso das flores, quando enxergamos o azul, isso tem relação com como as informações da luz refletida são emitidas pelos corpos e interpretadas por nosso cérebro. Isto é, para uma flor ser azul ela precisa ter uma molécula que absorva a parte vermelha do espectro de luz. Na prática, significa dizer que a flor é azul por ser essa a parte do espectro que ela “rejeitou”.

Falta da cor na natureza influenciou no batismo da cor na aquarela

(Fonte: Yaroslav Shuraev/Pexels)(Fonte: Yaroslav Shuraev/Pexels)

Com pouca presença na natureza, a cor azul foi uma das últimas a ser batizada. Na realidade, é mais preciso afirmar que a palavra para ela surgiu tardiamente em todo o mundo. A razão é bem simples: para uma cor surgir você precisa ser capaz de isolá-la de sua origem, para poder tingir ou pintar outras coisas. Afinal, para que você precisaria propor o nome para uma cor se não a utiliza?

É essa a ideia proposta por Kai Kupferschmidt em seu livro. O uso mais antigo de um corante azul é datado de 6.000 anos atrás, no Peru. Já no Egito antigo, foram combinados sílica, óxido de cálcio e óxido de cobre de modo a criar um pigmento azul duradouro para utilizá-lo em estátuas.

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Escassez do azul lhe deu lugar de destaque

(Fonte: Magda Ehlers/Pexels)(Fonte: Magda Ehlers/Pexels)

O fascínio humano pela cor azul está intimamente ligada com a sua escassez na natureza. No inglês, muitas expressões idiomáticas utilizam o termo, como “blue sky ahead” (céu azul à frente), algo como dizer que a pessoa terá um futuro brilhante, e “feeling blue” (sentir-se azul), para quando está sentindo-se triste.

De algum modo, toda nossa percepção a respeito da cor e das coisas que parecem azuis à nossa visão foram moldadas pela dificuldade de encontrá-la na natureza. Imagine a imensidão do céu e do mar, difícil não conectá-las com o que pensamos do azul, não é mesmo?

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