Antigos romanos podem ter perdido mina de esmeraldas para nômades

Os antigos romanos tinham uma predileção especial pelas esmeraldas. Como o escritor romano Plínio, o Velho, escreveu em seu livro História Natural no século I d.C.: “Não há pedra, cuja cor seja mais agradável aos olhos, nenhum verde existe de uma cor mais intensa do que esta.”

Já faz algum tempo que pesquisadores sabiam que o vale de Wadi Sikait, no deserto oriental do Egito, era um dos mais importantes pontos de operação de mineração de esmeraldas para os romanos.

Agora, novas escavações encontraram a primeira evidência de que o exército romano atuou diretamente na região, tanto para a construção quanto para a defesa das minas.

Edifícios em Sikait. (Fonte: Projeto Sikait/Reprodução)Edifícios em Sikait. (Fonte: Projeto Sikait/Reprodução)

Estudo topográfico

Entre 2020 e 2021, os pesquisadores realizaram duas temporadas de escavações, analisando 11 áreas de extração de esmeraldas no local. 

Já nas escavações feitas no início de 2022, os arqueólogos tiveram a oportunidade de conduzir um detalhado estudo topográfico das duas principais minas.

Uma delas é constituída por centenas de galerias, sendo que a profundidade ultrapassa os 40 metros.

Os arqueólogos também determinaram que somente a partir da descoberta dos veios de esmeraldas mais produtivos é que os romanos, realmente, investiram no lugar.

A partir daí, Sikait passou a contar com rotas, guaritas, zonas de trabalho, pequenos povoados, necrópoles e infraestrutura logística para extração e transporte das pedras preciosas.

Templo em Sikait.Templo em Sikait.

Envolvimento do exército romano

Para os pesquisadores que estudam o vale de Wadi Sikait, as recentes escavações foram as mais significativas, especialmente porque foi encontrado um conjunto de inscrições antigas que, possivelmente, será útil para ajudar os arqueólogos na compreensão sobre como as atividades eram feitas ou quem trabalhava no local.

Entre essas inscrições existe uma que merece destaque. Ela diz respeito a uma legião romana nas minas, ou seja, é a primeira vez que algo encontrado em Wadi Sikait aponta para um envolvimento direto do exército romano nas operações de exploração de esmeraldas no Egito.

Nas mãos dos nômades

As escavações recentes também sugerem que os Blemmyes, um grupo nômade originário da Baixa Núbia, teria tomado o controle das minas de Wadi Sikait dos romanos entre os séculos IV e VI d.C.

Além da presença de elementos ritualísticos e religiosos desse grupo, os arqueólogos concluíram que alguns edifícios na região foram ocupados ou construídos pr eles. 

Oferendas encontradas nas minas de Sikait.Oferendas encontradas nas minas de Sikait.

Isso confirma o que o filósofo grego, Olympiodorus, escreveu sobre a região na antiguidade apontando que “uma permissão do rei dos Blemmyes era necessária para entrar nas minas de esmeralda no século V”.

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