A violenta história do Black Metal Norueguês na década de 1990

Na década de 1990, a Noruega iniciava uma época de muito sucesso e de muito terror no mundo da música, sobretudo quando o assunto era Black Metal. Essa geração é tida como o momento histórico que ajudou a estabelecer o Black Metal moderno e, consequentemente, foi responsável por produzir algumas das bandas mais aclamadas e influentes nesse cenário. 

Mayhem, Emperor, Gorgoroth e Immortal são apenas alguns dos exemplos que surgiram nessa década. Entretanto, a cena não falava somente sobre música e se expandia para ser um estilo de vida, tendo os membros envolvidos no centro dessa operação como responsáveis por produzir algumas atrocidades. Entenda!

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O Black Metal norueguês

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Tudo começou em uma gravadora na cidade de Oslo chamada Helvete — referência a palavra inferno (“Hell”, em inglês). Quem participava dos centros das operações dizia ser membro do “Círculo Interno do Black Metal”, cujos membros eram quase numa totalidade homens jovens com uma visão antissocial e anticristã sobre a vida. 

Os participantes do movimento argumentavam que o gênero musical havia ficado mal-falado por conta de matérias sensacionalistas da imprensa. Porém, é inegável que membros do Black Metal norueguês estiveram envolvidos em alguns acontecimentos aterrorizantes presenciados na década de 1990.

Se grandes artistas estavam sendo lançados nos palcos ao redor do país, os bastidores dos shows eram reconhecidos por envolver um grupo de satanistas militantes que odiava a sociedade e queria espalhar ódio, maldade e terror. A assinatura do movimento era pintar o rosto como se fosse uma caveira e carregar consigo armas medievais.

Caos e desordem

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Internet/Reprodução)

A primeira tragédia envolvendo o Black Metal norueguês aconteceu em 1991, quando o vocalista e letrista do Mayhem, Per Yngve Ohlin, acabou se suicidando. Dead, como também era chamado, disparou uma espingarda contra si enquanto permanecia na casa compartilhada por membros da banda.

Mas até então essa não era uma grande “surpresa” para todos. Dead era visto pelos fãs da banda como alguém introvertido, deprimido e que costumava se mutilar durante as performances ao vivo do Mayhem. Porém, os acontecimentos que deram continuidade ao suicídio do vocalista fugiram completamente de uma normalidade.

O corpo foi encontrado pelo guitarrista Euronymous, que decidiu fotografar tudo e reorganizar toda a cena antes de chamar a polícia. Uma das imagens, inclusive, acabou tornando-se capa do álbum Dawn of Black Hearts (1995). Posteriormente, ele ainda deu algumas declarações de que Dead teria se cansado da podridão instaurada no cenário do Black Metal e por isso decidiu se matar. 

Envolvimento em crimes

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

A morte de Dead deu início a uma fase realmente sombria no Black Metal, ultrapassando a maquiagem e a teatralidade. Muitos na cena eram a favor do totalitarismo, seja comunismo ou fascismo, e sua visão do satanismo era tão extrema que eles até atacaram a Igreja de Satanás por ser uma inversão do cristianismo. 

Em 1992, o gênero musical já havia sido inteiro contaminado pelo ódio. Essa época deu início a uma série de ataques incendiários às igrejas da Noruega, incluindo a histórica Capela Holmenkollen. Estima-se que mais de 50 ataques foram feitos até 1996.

Mas o pior ainda estava por vir. Em agosto de 1992, o baterista do Emperor, Bård ‘Faust’ Eithun, foi responsável por assassinar um homem gay em Lillehammer com 47 facadas. Na época, ele não demonstrou qualquer tipo de remorso e ainda afirmou ter contado seu crime para Euronymous e Varg Vikernes, do Burzum, com quem teria incendiado a Capela Holmenkollen no dia seguinte. Em 1994, ele foi condenado a 14 anos de prisão.

Último capítulo

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Euronymous e Vikernes tinham visões diferentes de como a cena do Black Metal deveria ser. Por esse motivo, enquanto as igrejas estavam sendo incendiadas, o conflito entre os dois foi crescendo. Na noite de 10 de agosto de 1993, Vikernes e mais um colega se reuniram no apartamento de Euronymous em Oslo.

Segundo os relatos, um conflito entre os dois teria iniciado no meio da noite e terminou com o guitarrista do Mayhem sendo esfaqueado até a morte com 23 facadas — duas na cabeça, cinco no pescoço e 16 nas costas. O motivo do crime parecia uma verdadeira disputa de poder entre os dois.

Vikernes foi preso em 19 de agosto de 1993, e muitos outros membros centrais da cena também foram interrogados na mesma época, confessando a participação em outros crimes. Esse seria o último capítulo do cenário sombrio do Black Metal Norueguês, que antes de fechar as portas ainda queimaria mais duas igrejas em “apoio simbólico” a Vikernes no dia da sua prisão.

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