A surpreendentemente complicada história do inventor do vaso sanitário

A vida sem vasos sanitários certamente seria muito difícil. Mas a invenção dessa importante tecnologia, com a qual não conseguimos viver sem, está cercada por muitas controvérsias.

O vaso moderno data cerca de 500 anos. Porém, antes disso, várias civilizações antigas haviam pensado em formas de eliminar seus dejetos e manter seus espaços domésticos limpos. Mas todos eles dependiam da gravidade: eram o que chamamos de penicos, ou então sistemas que consistiam em depositar os resíduos no chão.

Os banheiros modernos só foram existir com a invenção do sistema de esgoto, na era vitoriana, na Grã-Bretanha. A criação deste aparelho costuma ser creditada ao engenheiro Thomas Crapper (de cujo nome, aliás, derivou a palavra “crap”, que costuma ser associada a fezes). Mas este é só o começo desta história bizarramente complicada.

O verdadeiro inventor do vaso

(Fonte: SSPL/Getty Images)(Fonte: SSPL/Getty Images)

Ainda que Crapper quase sempre receba os louros, a verdade é que o primeiro inventor do vaso sanitário com descarga foi Sir John Harington (curiosidade: ele era afilhado da rainha Elizabeth I e é um parente distante do ator Kit Harington, de Game of Thrones), em 1596. 

Neste ano, o nobre descreveu a sua invenção em um panfleto satírico, intitulado “A New Discourse of a Stale Subject Called the Metamorphosis of Ajax” — “Um novo discurso sobre um assunto obsoleto: a metamorfose de Ajax”, em tradução livre. Havia ali um trocadilho entre “Ajax” e “a jakes”, que era uma gíria usada para as privadas precárias que existiam.

Seu projeto consistia num aparelho oval revestido de cera, piche e resina, com 60 centímetros de profundidade, e precisava de 7,5 galões de água para funcionar. Era o primeiro protótipo de uma descarga. Depois dele mesmo, a primeira pessoa a receber o Ajax (nome dado à invenção) foi, claro, sua madrinha, a rainha Elizabeth I. Ainda assim, como havia uma ligação direta com os dejetos, o fedor vindo do lixo e das fezes continuava chegando até o banheiro.

O design criado por Sir Harington não era dos mais arrojados: acabava ficando muito próximo de um penico comum. Foi um relojoeiro chamado Alexander Cumming que criou um design de curva em S, em 1775, que começava a solucionar o problema do fedor.

A popularização do vaso sanitário

(Fonte: The Richard H. Driehaus Museum)(Fonte: The Richard H. Driehaus Museum)

A popularização do vaso sanitário só começaria a ocorrer no século XIX. Em 1851, um encanador chamado George Jennings instalou os primeiros banheiros públicos no Hyde Park de Londres. Além do vaso, os banheiros tinham toalha, pente e graxa para os sapatos.

No entanto, a fama viria apenas para Thomas Crapper, o engenheiro que comercializou e popularizou o aparelho. Crapper recebeu uma encomenda do príncipe Edward em 1861 para que produzisse vasos para o palácio real. Em 1880, com a adequação final do sistema de esgoto em Londres, os banheiros finalmente se tornaram inodoros.

Ainda que Thomas Crapper não tenha inventado de fato a tecnologia, ele a aprimorou. Uma de suas criações é a ballcock, uma pequena válvula flutuante que existe dentro de alguns vasos que impede que o tanque transborde. O engenheiro detinha nove patentes ao todo, incluindo projetos para vasos sanitários, tampas de bueiros, juntas de tubos e melhorias de drenos.

Uma curiosidade é que, se você for a Londres, ainda poderá encontrar alguns bueiros dos banheiros originais de Thomas Crapper com o seu sobrenome gravado. Na Abadia de Westminster, é possível passar por um deles, e há alguns banheiros ainda espalhados pela cidade. Ao lado de fora da antiga casa do engenheiro, no bairro de Bromley, também há uma placa que homenageia este londrino por suas contribuições à cidade.

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