A guerra dos VHS: quando as fitas quase foram proibidas nos EUA

Foi em meados de 1997 que chegaram às lojas dos Estados Unidos os primeiros aparelhos de DVD (Digital Versatile Disc), que prometiam mudar a indústria de filmes para assistir no conforto do lar. A Warner saiu na dianteira e lançou 30 títulos no novo formato, incluindo o famoso filme Twister, enquanto as demais produtoras relutaram, em sua maioria preocupadas que os padrões de proteção de direitos autorais recém-adotados para o DVD não fossem bons o suficiente.

Mas não demorou muito para que o novo tipo de mídia se tornasse popular e fizesse sucesso entre os consumidores, vendendo só em 2002 mais de 80 milhões de aparelhos DVD nos EUA, tornando-se o dispositivo eletrônico de consumo mais rápido de todos os tempos.

Em junho de 2003, quando o aluguel de DVDs nas locadoras de filmes ultrapassou pela primeira vez o de VHS (Video Home System), ficou marcada a derrocada do estilo que fez um sucesso estrondoso durante a década de 1980, tanto que quase chegou a ser proibido pela Suprema Corte dos EUA.

O problema do sucesso

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Gravar programas ou filmes que passavam na grade da televisão era um hábito que fazia parte da cultura norte-americana do século passado, quando usar os gravadores de videocassete era a melhor maneira de não ficar preso à grade televisiva — fora a oportunidade de poder rever por várias vezes.

E isso só foi possível com a invenção dos videocassetes, que chegaram nos EUA no Natal de 1975 sob o nome de Betamax, após serem lançados pela gigante Sony no Japão, mesmo sem saber se haveria mercado para gravadores de vídeo domésticos. Ele competiu com o formato VHS da JVC, que possuía um tempo de execução maior sobre o Betamax, além de ser mais barato.

(Fonte: The New York Times/Reprodução)(Fonte: The New York Times/Reprodução)

Enquanto começou uma guerra mercadológica entre as duas empresas para saber quais produtos seriam mais adotados pelos americanos, a indústria de Hollywood entrou em pânico sob à possibilidade de que os consumidores fossem capazes de gravar os filmes à vontade, corrompendo direitos autorais e prejudicando os lucros dos estúdios.

Tentando fazer os produtos serem impedidos, a Universal City Studios moveu uma ação judicial contra a Sony Corporation of America.

A guerra

(Fonte: Reddit/Reprodução)(Fonte: Reddit/Reprodução)

A princípio, o caso foi levado ao Tribunal Distrital dos EUA, com a Universal alegando que a Sony era responsável pelas supostas violações de direitos autorais devido às fitas Betamax, que estariam sendo usadas para gravar programas e filmes dos estúdios. Isso foi chamado time-shifting, o ato de um telespectador gravar um programa para uso pessoal com a intenção de assisti-lo depois.

O processo foi arquivado em 1976, porém reaberto e contestado até que chegasse na Suprema Corte, em 1983. Em janeiro do ano seguinte, o juiz decidiu que o time-shifting não violava as leis de direitos autorais, dando a causa ganha para a Sony.

A decisão foi fundamental para o futuro da eletrônica de consumo no mundo, bem como o surgimento de novas mídias digitais de reprodução de vídeo.

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