A centenária história dos desenhos animados

Quem é familiarizado com os desenhos animados modernos já parou para pensar como eram feitos no início? A história é longa e se inicia antes mesmo do surgimento do cinema, por exemplo.

Antes da computação gráfica, as animações eram produzidas desenhando quadro a quadro, incluindo todos os elementos que compusessem a cena: fundo, personagens e objetos.

Esse foi o primeiro tipo de animação 2D, também chamado de animação tradicional ou animação celuloide. Mas é somente o meio do caminho até chegarmos aos desenhos animados como Toy Story.

Desenhos animados: o início nas projeções de luz

A história das técnicas de animação começa com A Lanterna Mágica, do veneziano Giovanni Fontana. Ainda que não seja possível afirmar que ele seja o inventor, foi quem introduziu a projeção, a partir do uso de uma simples lanterna direcionada para pinturas, gravuras ou fotografias em placas transparentes, todas pintadas à mão em lâminas de vidro.

Dali até o primeiro filme de animação do mundo foram mais de dois séculos. Na França, em 1908, Émile Cohl exibiu a animação Fantasmagorie, feita com figuras de traços com objetos inanimados. Gertie the Dinosaur, realizado por Winsor McCay em 1914, avançou no uso de técnicas como keyframing, intervalação e loops de animação, solidificando as bases do que seria o padrão da indústria de animação.

Mas a história dos desenhos animados não seria nada se John Randolph Bray e Earl Hurd não tivessem criado e patenteado o processo conhecido como animação celuloide. Era a evolução dos desenhos feitos à mão.

A era clássica dos desenhos animados

O aspecto mais importante deste método é o fato de tudo ser desenhado à mão, quadro a quadro, para depois ser transferido para folhas de acetato transparente, chamadas de cels, onde eram pintadas.

Muitos dos desenhos animados que se tornaram clássicos, conhecidos por todo o público, foram feitos utilizando esta técnica. Gato Félix, Mickey, Pica Pau, Popeye, Betty Boop, todos eram feitos neste método super complexo, em que inúmeros desenhos eram produzidos para se chegar ao produto final.

A ruptura viria décadas à frente, quando os estúdios de animação começaram a digitalizar desenhos para que fossem coloridos digitalmente. Foi a introdução do uso de tablets e de monitores Wacom Cintiq, onde os ilustradores podiam desenhar diretamente no computador.

As etapas que levaram à modernidade

(Fonte: Wikimedia)(Fonte: Wikimedia)

A criação da rotoscopia por Max Fleischer deu aos desenhos animados movimentos naturais e realistas, além de maior velocidade na produção. O surgimento da câmera multiplano foi outra evolução importante para o segmento, como um passo além na animação celuloide.

Já a xerografia permitiu que os desenhos fossem diretamente para a película, garantindo barateamento das produções, redução no tempo para concluir um projeto e garantiu desenhos animados mais ambiciosos.

O método de animação celular só entrou em declínio durante a década de 1990. Na realidade, é mais preciso afirmar que o método sofreu impacto do avanço da tecnologia, já que a maneira antiga foi substituída pela forma digital.

Toy Story deixou enorme legado

(Fonte: San Francisco Chronicle)(Fonte: San Francisco Chronicle)

O uso de gráficos digitais nos desenhos animados já era uma realidade nos anos 1960 e ganhou impulso na década seguinte. Mas as animações feitas utilizando somente computação gráfica só se tornaram realidade na década de 1990, sendo Toy Story o primeiro filme a ser feito 100% desta maneira.

Em seu legado, podemos incluir o avanço do segmento de processadores gráficos, das desenvolvedoras de jogos eletrônicos e, até mesmo, na robótica e nas tecnologias de inteligência artificial. Foi o filme, também, juntamente com seu estúdio, a Pixar, que solidificaram o espaço dos desenhos animados, que no ano de 2001 ganharam uma categoria no Oscar, a principal premiação do cinema americano.

Em suma, não é exagero dizer que Toy Story e a Pixar mudaram o cenário dos desenhos animados e do próprio cinema. Agora, isto não significou o fim dos desenhos animados feitos utilizando outras técnicas, já que essa é uma realidade que pode variar de estúdio para estúdio ou mesmo de um país para outro.

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